Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 31/10/2018

A partir do século XXI, com o avanço da tecnologia e ascensão das redes sociais, as “fake news”, notícias falsas que aparentam ser verdadeiras, gradativamente são propagadas nos meios de comunicação em massa. Tal fato ocorre devido à negligência da população de compartilhar publicações seguindo as crenças pessoais e de não averiguar se elas são fatos, o que acarreta em alguns perigos para a sociedade.

Primeiramente, segundo o filósofo Immanuel Kant, os seres humanos só conseguem perceber o mundo e as coisas à sua volta com o “ser para nós”, isto é, de acordo com suas próprias impressões e convicções. De maneira análoga, quando uma pessoa se depara com uma notícia que é condizente com suas ideias, ela não se preocupa em checar se esta informação é real. Desta forma, a influência emocional do receptor da notícia e o hábito errôneo enraizado na população brasileira de não pesquisar antes de compartilhar, promove o aumento do compartilhamento das ‘‘fake news’’.

Outrossim, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, “as redes sociais são uma armadilha”, destarte, é tácito que os meios digitais, pelo alto alcance e rapidez de disseminação, são os mais usados para propagar ‘‘fake news’’’. A partir disso, algumas pessoas compartilham na rede virtual alguma notícia falsa com a intenção de difamar ou prejudicar alguém ou alguma ação, o que pode ser uma eficiente ferramenta para manipular a população em prol do interesse de certo grupo, como em eleições ao depreciar a imagem de algum candidato.

Não obstante, hodiernamente, as ‘‘fake news’’ podem gerar o pânico moral na sociedade, como ocorrido no Rio de Janeiro durante a Revolta da Vacina, visto que as pessoas se revoltaram pela falta de informação acerca da vacina que estava sendo imposta. Logo, as notícias falsas também contribuem para afetar a saúde pública, levando em conta que cada vez mais crescem os movimentos antivacina, o que acarreta na volta de doenças já erradicadas no Brasil, tais como sarampo e a poliomielite, pelo receio da população sobre inverdades disseminadas de que as vacinas são causadoras de efeitos colaterais prejudicais à saúde.

À vista disso, para que diminua a propagação das ‘‘fake news’’, cabe ao Estado criar um órgão público que fiscalize e puna criadores e divulgadores das mesmas. Em concomitância, a mídia deve incentivar o consumo crítico de informação com a ampla divulgação de um guia com técnicas para identificar uma notícia falsa e que apresente as consequências que ela pode causar. Desse modo, os perigos das notícias falsas serão atenuados e evitados.