Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/11/2018

Policarpo Quaresma, o patriota de Lima Barreto, decidiu em seu “Triste fim” dedicar toda sua vida ao estudo da pátria, por querer muito contribuir para sua prosperidade. Hodiernamente, a postura inapropriada de muitos brasileiros frente a disseminação de notícias falsas, talvez o fizesse repensar acerca de sua decisão. Nessa perspectiva, surge a problemática das “fake news” que persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja por questões sociais, seja pela educação deficitária.

A princípio, vale ressaltar, que segundo o conceito da “banalidade do mal”, proposto pela filósofa alemã Hannah Arendt, que se refere a tolerância, banalização e normalização daquilo que é assumidamente antiético na sociedade. A disseminação das “fake news” por ser um fato habitual, repetitivo e sem intervenção estatal eficiente cria um conformismo nacional em parcela considerável da população, o qual não só aliena os cidadãos perante ao assunto, como também oculta a real magnitude do problema.        Além disso, pode-se apontar que de acordo com o Fundo Monetário Internacional o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que possui um sistema público de ensino eficiente. Entretanto, a realidade é justamente o oposto, e o resultado desse contraste é claramente refletido no consumo crescente de notícias falsas. Uma vez que os jovens são bombardeados frequentemente por esses meios manipuladores que na maioria das vezes estão em busca de cliques, os quais compartilham e aumentam a visibilidade dessa falsa mídia.

Logo, Cabe ao Ministério da Educação criar um programa, ministrado por jornalistas, para ser impulsionado nas instituições de ensino, o qual promova palestras, apresentações artísticas e saraus abertas ao público civil a respeito do trabalho jornalístico comprometido com a veracidade das informações, dado que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador, a fim de que, consequentemente, a comunidade escolar e a sociedade no geral se eduquem. Assim, poder-se-á criar um legado de que Policarpo Quaresma pudesse se orgulhar.