Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/11/2018
A Terceira Revolução Industrial, ocorrida na segunda metade do século XX, inaugurou a “Era da Informação”, trazendo avanços significativos no campo tecnológico, ampliando a facilidade e a rapidez da comunicação das pessoas. No entanto, ao se analisar a difusão da informação ao longo do tempo, percebe-se que, nem sempre, o conteúdo compartilhado é acompanhado de veracidade, fator que pode gerar, entre outros problemas a manipulação daquele que recebe a mensagem do interlocutor.
Durante o Governo Constitucional, em 1937, ano que antecedia a eleição para o novo chefe do executivo, a equipe do então presidente Getúlio Vargas divulgou, por meio do programa de rádio “Hora do Brasil”, o “Plano Cohen”, documento militar falso que “provava” a organização de uma conspiração comunista no país. Diante da informação, parcela significativa da população se exaltou, e, se aproveitando do clima de medo instaurado no país, Vargas, contrariando a Constituição, decretou o cancelamento das futuras eleições, afirmando que continuaria no cargo do executivo para “proteger” a população, essa que apoiou o golpe, diante de tal ameaça. Esse momento ilustra, pois, como as “fake news” fazem-se presentes ao longo do tempo e como, ao serem disseminadas, têm capacidade de manipular o pensamento do receptor da informação.
Outrossim, nos dias de hoje, com o alto desenvolvimento tecnológico, o uso do artifício de compartilhamento de tais conteúdos falsos torna-se muito presente. Adorno e Horkheimer, pensadores da Escola de Frankfurt, ao analisarem a “Era da Informação”, proporcionada pelas revoluções industriais, criaram o termo “Dialética do Esclarecimento”, evidenciando que, por mais que melhorias tenham sido alcançadas pela tecnologia, tornou-se muito mais prático modificar comportamentos humanos. Tal lógica mostra-se, de fato verdadeira, haja vista que a internet é tida como canal comunicativo de rápida divulgação de conteúdos, sejam eles verdadeiros ou não. Sendo assim, quando o indivíduo não verifica as fontes das notícias que recebe, sujeita-se, muitas vezes a ser dominado por aquele que cria a informação.
Diante disso, objetivando garantir a segurança do cidadão, medidas devem ser tomadas para modificar o quadro apresentado. Em primeiro lugar, as escolas devem, por meio de palestras sobre o assunto, explicar ao jovem os riscos oferecidos pelo divulgação e consumo de conteúdos falsos, buscando despertar a consciência crítica necessária para a leitura de qualquer informação. Além disso, ONGs de caráter social devem criar campanhas que visem ensinar o indivíduo a checar a autenticidade das notícias que recebe, como a verificação de fontes, possibilitando, assim, que ele seja autônomo e que saiba diferenciar irregularidades no que é transmitido.