Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 03/11/2018

Policarpo Quaresma, o patriota de Lima Barreto, em seu “Triste fim” por ser perdidamente apaixonado pela pátria, enxergava o território brasileiro como o melhor lugar para se viver. Entretanto, hodiernamente, quando se observa a deficiência das medidas na luta contra as “fake news” no país, ainda muito recorrente na sociedade, devido não apenas a deturpada mentalidade social, mas também a educação pública deficitária. Talvez, ele repensasse cuidadosamente a sua visão.

A princípio, vale ressaltar o conceito da “banalidade do mal”, proposto pela filósofa alemã Hannah Arendt, referente a tolerância, banalização e normalização daquilo que é assumidamente antiético na sociedade. De fato, a disseminação das “fake news” por ser um caso habitual, repetitivo e sem intervenção estatal eficiente produz um conformismo na mente de parcela considerável da população nacional, o qual aliena os cidadãos perante ao assunto e oculta a real magnitude do problema.

Além disso, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Brasil é a nona economia mundial. Apesar do alto potencial econômico, o sistema educacional público ainda não se mostra totalmente eficaz e tem como reflexo o consumo crescente de notícias falsas. Visto que, na maioria das vezes, a falta de debates sobre o assunto dentro das instituições de ensino faz com que os jovens se mantenham com vieses estereotipados, fruto do senso comum. Desse modo, isso propicia o persistente compartilhamento dessa falsa mídia por esse grupo.

Logo, cabe ao Ministério da Educação criar um programa, ministrado por jornalistas, para ser impulsionado nas instituições de ensino, o qual promova palestras, apresentações artísticas e saraus abertas ao público geral acerca do trabalho jornalístico comprometido com a veracidade das informações, dado que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador, a fim de que, consequentemente, a comunidade escolar e civil se eduquem. Assim, poder-se-á criar um legado condizente ao ufanismo do Policarpo Quaresma.