Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/02/2019
Os avanços tecnológicos trouxeram consigo uma nova forma de interação. Com a difusão das mídias sociais, a internet se tornou uma importante ferramenta de protesto e manifestação. Semelhante ao processo ocorrido durante o Iluminismo, o advento da tecnologia não somente simplificou a liberdade de expressão entre os indivíduos, mas também foi responsável pela intensificação das fake news, problemática responsável pela morte de Joana D’Arc durante a Idade Média e que persiste até a atualidade. Neste sentido, é fundamental que se discuta sobre os fatores corroborantes a essa situação.
Numa primeira instância, observa-se a importância de analisar o problema sob um viés político. O advento da tecnologia facilitou a liberdade de expressão entre os indivíduos, garantindo assim a efetivação de um sistema democrático. Todavia, a rápida propagação de informações que, por vezes, não são verídicas -, estimula o cidadão a lutar por causas das quais não possui conhecimento. Um estudo realizado pela Universidade de Oxford em 2017 revela que o Facebook é a principal fonte de informações dos brasileiros. O resultado da pesquisa suscita apreensão, haja vista a falta de fiscalização da rede sobre as notícias publicadas e compartilhadas pelos usuários.
Outrossim, nota-se a relevância dos entraves morais e éticos no que se refere ao comportamento dos usuários nas redes sociais. Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo francês, demonstra que a liquidez presente nas relações coletivas ocasiona a perda de valores indispensáveis como, por exemplo, o respeito e a empatia. Do mesmo modo, a necessidade de consumo implantada pelo capitalismo - seja a mercadoria palpável ou não -, desvia a prioridade das pessoas para o lucro. Consequentemente, obtém-se uma população alienada e governada por realidades inautênticas.
Desta forma, torna-se imprescindível a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. A intervenção do Estado em prol da segurança de todos os cidadãos se torna concebível a partir da criminalização da de propagação de notícias inverídicas. Ademais, é necessário que o Ministério da Justiça promova a vigência de sanções ponderadas a fim de que os praticantes de tais práticas sejam punidos. Somado a isto, cabe à mídia fomentar o interesse da população pelo tema por meio campanhas de conscientização e propagandas. Isto posto, a “ordem e o progresso” deixará de ser meramente um verso estampados na bandeira brasileira para se tornar uma realidade tangível.