Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 13/03/2019
No livro ‘‘1984’’, de autoria do romancista George Orwell, o protagonista Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, falsifica registros históricos, com a finalidade de moldar o passado à luz do presente tirânico. Fora da ficção, é notório que a realidade assemelha-se à obra de Orwell, na medida que, hodiernamente, as ‘‘Fake News’’ - notícias falsas, aparentemente verdadeiras - ganham destaque na era da informação. Nesse sentido, convém ponderar os fatores que levam tais notícias a serem consideradas perigosas.
A princípio, o interesse individual, quando prioridade frente à veracidade, é responsável pelos perigos causados pelas Fake News. Isso decorre, conforme explicado pelo sociólogo Gilles Lipovetsky na obra ‘‘A era do Vazio’’, de uma rapidez nas relações interpessoais, consequentes de um ideal econômico capitalista - que faz com que as pessoas prefiram a rapidez da informação à seu caráter fidedigno. Em decorrência disso, o filósofo da escola frankfurtiana, Adorno Horkheimer, ressalta que a Industria Cultural impõe padrões comportamentais nas pessoas, com o intuito de moldá-las para facilitar o processo de expansão propagandista. Por conseguinte, suscitado por tais padrões, o consumidor, já alienado, torna-se instrumento do ciclo vicioso das notícias falsas, propagando-as, mesmo que inconscientemente, à primeira vista.
Atrelado a isso, as Fake News colocam em xeque os rumos do regime democrático. Isso porque, levando em consideração o pensamento do filósofo John Locke, a liberdade de escolha é imprescindível na manutenção do Estado Democrático de Direito. Contudo, as notícias falsas vão de encontro a essa premissa fundamental, haja vista a desinformação e as polêmicas que estas causam. Bom exemplo disso é que, em 2016, no periodo de eleição estadunidense, o então candidato Donald Trump foi vítima de uma Fake News, que, nesse caso, o favoreceu. Na notícia dizia-se que o Papa Francisco, líder da Igreja Católica, o apoiava. Em virtude disso, deduz-se que as eleições foram deturpadas, haja vista que a notícia foi compartilhada mais de 1 milhão de vezes nas redes sociais, colocando a eleição - principal instrumento democrático da sociedade civíl - em descredibilidade.
Infere-se, portanto, que as Fake News representam um perigo à democracia. Em razão disso, o Estado, na figura do Governo Federal, deve criar uma secretaria de fiscalização chamada ‘‘Lupa de notícias’’ para fiscalizar, por meio das redes sociais - local que as Fake News viralizam -, possíveis notícias falsas, a fim de impedir sua propagação e as desmentir, uma vez que, assim, ter-se-á um mundo sem notícias falsas e, consequentemente, seus perigos. Dessa forma, a ficção de Orwell não se transporá à realidade, ficando restrita à ficção, preservando a democracia e a liberdade de pensamento de Locke.