Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 28/05/2019
A Terceira Revolução Industrial possibilitou a ascensão da internet e dos canais de comunicação como meios disseminadores de informações na realidade da globalização. No entanto, essas tecnologias são utilizadas de maneira irresponsável no século XXI, e geram prejuízos à sociedade no que tange a propagação de “fake news”, as quais tem como objetivo principal desestimular a construção do senso crítico dos indivíduos e manipular o comportamento dos usuários na contemporaneidade.
Nesse contexto, é possível analisar que a defasagem na formação do caráter de criticidade da realidade pela sociedade possibilita a maior difusão de notícias falsas no ambiente virtual. Análogo à esse sistema, o sociólogo Zygmunt Bauman descreveu o conceito de liquidez que permeia as relações sociais e as ações individuais, na qual o imediatismo torna-se rotina da população moderna. Dessa maneira, os indivíduos buscam conteúdos rápidos e fáceis de serem lidos, sem, no entanto, refletirem de modo crítico a veracidade das informações contidas em cada veículo de comunicação. Logo, essas notícias são disseminadas na mesma rapidez com que foram interpretadas, sem filtros ou questionamentos.
Além disso, as fake news influenciam no controle ideológico e social da população. O vocábulo utilizado, as frases sensacionalistas e as imagens relacionadas à notícia transmitida são fatores que atraem a atenção das pessoas, que recebem informações sem a análise da autenticidade delas, por meio de um controle simbólico, estudado pelo filósofo Michel Foucault, e que têm a intenção de influenciar, mediante ao uso proposital das palavras, as atitudes dos cidadãos, seja no campo político, social ou econômico. Assim, os atos da sociedade são moldados conforme a ideologia vigente, visto que as falsas referências são mais fáceis de passarem despercebidas no mundo contemporâneo.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para evitar os perigos produzidos pelas fake news na era da informação. É imprescindível, então, a atuação das escolas, como precursoras de conhecimento, no estímulo ao desenvolvimento das capacidades críticas dos alunos, por meio da criação de debates semanais entre professores e alunos sobre questões que abordem o uso responsável da internet na modernidade, que mostrem a importância da filtragem de informações repassadas, para que esses jovens tenham a habilidade de reconhecer a qualidade das notícias e evitarem serem manipulados pela revolução técnica científica informacional ao qual rege a atualidade.