Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 17/06/2019

Em 1937, durante o governo Vargas, a propagação em mídia da época sobre a articulação de um suposto plano comunista levou à declaração de Estado de sítio e suspensão de direitos constitucionais, pelo presidente. Na contemporaneidade, após quase um século do episódio, o artifício da difusão de notícias falsas continua a figurar no Brasil, sobretudo nas redes sociais, situação que causa não apenas transtornos sociais, mas ainda prejudica a promoção da democracia, fator essencial ao desenvolvimento do país. Com efeito, é fundamental a realização de medidas do governo, de instituições e da população, de modo a reduzir esse fluxo de notícias sensacionalistas.

No âmbito cultural, com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, é fato que a disseminação de informações em tempo real agrega-se à dinâmica da globalização. No entanto, a proliferação de notícias falsas demonstra que essa nova fase da comunicação requer não apenas uma percepção apurada, mas também exige o discernimento quanto à veracidade do que é postado, tendo em vista que informações falaciosas além de comprometerem a dignidade e moral da vítima, geram, não raro, casos de violência. A exemplo do caso do Guarujá, em 2014, com o espancamento e morte de uma mulher acusada de praticar magia negra.

Paralelamente, cabe ressaltar que a alienação promovida pelos veículos midiáticos, nas últimas décadas, constitui um fator de aculturação social tal qual como defendido por Adorno e Horkheimer a partir do conceito de “Indústria Cultural”. À vista disso, empresas elaboram conteúdos sensacionalistas de modo a persuadir o leitor e expandir falácias em escala global. Ademais, diante da consolidação de polarizações políticas, nota-se a retomada da articulação de regimes totalitários, já que muitos partidos passaram a manipular notícias para a propagações de determinadas ideologias, de modo a alienar a sociedade e impedir a formação de concepções individuais.

Considerando-se os aspectos mencionados, de modo a reduzir a incidência das “Fake News”, cabe ao Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, aprovar a lei que tramita na Câmara dos Deputados, a qual criminaliza a divulgação de notícias falsas, de maneira que a sociedade seja privada de conviver com essas informações prejudiciais ao desenvolvimento social. Soma-se a isso, a ação dos principais meios de divulgação na atualidade, como “Facebook” e “Google”, para que se juntem aos setores de investigação a fim de retirar do sistema as páginas que se utilizam de forma prejudicial de suas plataformas. Por fim, cabe ao setor midiático promover propagandas de cunho educativo, auxiliando a população no reconhecimento dessas farsas e a reduzir o compartilhamento desses conteúdos em âmbito social.