Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 14/09/2019

Sob a perspectiva histórica, Maria Antonieta, rainha da França durante o século XVIII, foi associada a diversas inverdades nos jornais da época, o que corroborou para o seu assassinato pela população. Perante a esse viés, a reestruturação desse cenário, o qual a verdade é deturpada e, por conseguinte, impacta nas dinâmicas cotidianas, sucede-se pela ausência de um diálogo educativo entre sociedade e Estado. A partir disso, observa-se que políticas públicas educativas são medidas mais prudentes frente à problemática.

Nesse contexto, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade líquida”, concebe o fenômeno da pós-verdade como a redefinição das veracidades universais para a subjetividade em consonância à valores individuais. Por esse óptica, deturpações da realidade de acordo com juízos éticos e morais de cada cidadão representam um risco à sociedade, ao passo que fundamentos inexoráveis do tecido social, por exemplo, os Direitos Humanos começam a ser objetos da parcialidade. Dessa maneira, crenças como “Direitos Humanos para humanos direitos” ganham força ao lateralizar garantias individuais garantias universais baseando-se em ideais pessoais, o que é repudiável.

Ademais, segundo o estudo da empresa de segurança cibernética Psafe, no ano de 2018, o Brasil teve 4 milhões de notícias distorcidas e algumas delas corroboraram para assassinatos e linchamentos. Mediante a esse ângulo, nota-se um contexto análogo ao da França no século XVIII, em que notícias falsas são alicerces para justificar homicídios, ou seja, torna-se a aplicação do direito à vida como arbitrária. Dessa forma, adulterações da veracidade não são razoáveis no Estado Democrático de Direito.

Portanto, diante dos fatos supracitados, é dever do Estado agir no sentido de educar a malha social brasileira para atenuar as adversidades procedentes da pós-verdade. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação elaborar e executar um plano nacional de combate a notícias falsas com propagandas na mídia televisiva e digital que ensinem a população a não interpretar fatos de acordo com suas convicções e a checarem a veracidade de publicações em canais confiáveis de informação por meio de investimentos orçamentários na Secretaria de Comunicação Social. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar um diálogo educador entre conjuntura social e governo para mitigar os impactos da disseminação de fatos falsos e da parcialização da verdade nas dinâmicas sociais.