Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 01/10/2019
No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que as fake news não afeta drasticamente a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, naturalizando esse modo de pensar, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados.
É uma mentira que parece ser uma verdade indiscutível. O aumento da velocidade de sua propagação é um dos maiores desafios. Um mercado desse tipo de informação foi criado para favorecer ou difamar algo ou alguém. Esses entendimentos sobre notícias falsas, mesmo que simplistas, tendem a ressaltar fatores como o caso da Ponte Rio-Niterói, que alarmou uma parte da população por causa de rachaduras que não existiam. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, ao subestimar acusações contra o presidente Donald Trump de usar esse tipo de relatos contra sua concorrente às eleições. Assim, essa questão tem a capacidade de agredir o presente e violentar o futuro.
Por conta disso, no debate acerca de informes deturpados, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem dobram os sinos, deve-se notar que dobram por todos. Desse modo, é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que a reputação de um indivíduo ou empresa pode ser abalada e a sua credibilidade perdida . Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.
Sem dúvidas, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa contra as fake news está fadada ao insucesso. Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio da parceria do Ministério da Educação com mídias sociais, divulgue, nas instituições de ensino e redes informacionais, que é crime e maneiras de identificar esse tipo de notícia, o que garante a informação sobre a necessidade de buscar as fontes e desconfiar de sensacionalismos, além de estimular o desenvolvimento de criticidade para inverter o paradigma atual e facilitar as fiscalizações e denúncias de acordo com o Artigo de Contravenções Penais. Afinal, parafraseando o filósofo Heráclito, a mudança deve ser a base de tudo.