Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/09/2019

É fato que a Terceira Revolução Industrial facilitou a conexão global através das novas redes de comunicação, em especial a Internet. Contudo, ainda que a instantaneidade das publicações colabore com a disseminação de conhecimento, o novo meio informacional também intensificou o compartilhamento de notícias falsas. Dessa forma, as “Fake News” são capazes de alterar a visão que as pessoas têm da realidade e, por consequência, manipulá-las de acordo com os interesses de quem as propaga. Por isso, é inadiável a discussão da problemática nos dias de hoje.

Primeiramente, é importante notar que a divulgação de notícias falsas serve como ferramenta para distorcer e alterar fatos históricos. Como analisou a filósofa judia Hannah Arendt em seu livro “Verdade e Política”, a história adulterada gera graves sequelas, como por exemplo quando o Regime Nazista justificou o Holocausto. Hodiernamente, há pessoas que distorcem fatos do período ditatorial militar do Brasil com publicações revisionistas para justificar e ratificar valores da época. Por certo, o perigo da desinformação é intensificado quando até mesmo o próprio Presidente exaltou o Coronel Ustra, notório torturador, tornando possível o crescimento do apoio a um período cruel da história nacional.

Assim, as “Fake News” servem como estratégia para manipular toda uma população e garantir o poder político. O sociólogo Michel Foucalt mostra que o “Discurso”, conjunto de crenças e atitudes de um sistema político, é sempre reforçado para manter o controle “pastoral” da população, que direciona a conduta da sociedade. Logo, quando a Ministra Damares Alves expõe mentiras acerca de medidas do oponente político no governo passado, como a distribuição de livros de bruxaria e de conteúdo sexual para crianças, ela está manipulando de forma vil seu eleitorado que, por falta de instrução e falta de conscientização pública, não é capaz de contestar a veracidade das informações e aceita tudo como um rebanho, ou seja, de acordo com o pensador, de forma passiva.

Portanto, é visível que as fake news são bastante presentes no cenário político brasileiro e isso perpetua a manipulação do povo e a desinformação. Logo, urge às grandes mídias de jornalismo profissional do país, televisionadas e “on-line”, a criação de uma campanha exaustiva para refutar as “Fake News” mais populares e importantes do momento por meio de matérias na rede aberta de televisão, artigos e colunas nos portais digitais e muitas publicações nas redes sociais, onde há a interação direta com o leitor. Cabe também ao Ministério da Educação orientar a população, através das mesmas estratégias, para o reconhecimento de notícias falsas. É somente com a ampla exposição da verdade que será possível fazer com que a população possa confrontar as mentiras e, como um ato de revolução, se libertar da condição pastoral no poder político.