Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/09/2019

As fake news já existem há muito tempo no Brasil. Exemplo disso é o Plano Cohen, elaborado por militares no governo Vargas, que simulou uma suposta estratégia de tomada de poder pelos comunistas e deu oportunidade para o domínio militar no país. Essas notícias falsas têm sido disseminadas de forma mais intensa na atualidade, devido ao uso inapropriado de redes sociais e pela falta de penalização dos responsáveis, e isso tem gerado problemas emocionais e influenciado o comportamento de pessoas leigas. É preciso intervir para solucionar essa problemática.

Em primeiro lugar, é necessário destacar as consequências psicológicas que têm sido desencadeadas. De acordo com o sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e agir, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se dizer que a sociedade atual se enquadra na teoria na medida em que exclui socialmente vítimas de boatos e ainda compartilha postagens de forma deliberada nas redes sociais, sem uma análise prévia de sua confiabilidade e apenas levando em consideração o fato de um conhecido ou amigo também ter compartilhado. Toda essa situação influencia negativamente a vivência em grupo e pode, inclusive, levar indivíduos a quadros de depressão e prejudicar o seu desempenho nos estudos ou no trabalho.

Ademais, diversas pessoas tomam determinadas atitudes pelo fato de acreditarem nessas notícias maliciosas. Exemplo disso é o boato de que algumas vacinas seriam letais e teriam dizimado milhares de crianças, que fez com que doenças como o sarampo, do qual o Brasil era considerado livre, voltassem a acometer os cidadãos, devido ao elevado número de pessoas que deixaram de se imunizar. Outro exemplo é o da dona de casa Fabiane, que foi confundida com uma sequestradora de crianças para rituais de magia negra e morta por moradores no Guarujá, em 2014. Uma mentira, então, acaba por se tornar a causa de problemas de saúde pública e, até mesmo, de mortes.

Portanto, a disseminação de fake news tem se intensificado e gerado impactos emocionais e comportamentais. Cabe ao Estado investir em programas de informática a serem desenvolvidos por técnicos especialistas na área, que detectem com maior precisão a origem desses boatos e, também, elaborar leis que estabeleçam penalidades para os responsáveis, com o auxílio do Poder Legislativo. Além disso, cabe ao governo investir em campanhas, a serem divulgadas através dos meios de comunicação, que estimulem os internautas a fazerem melhor uso das suas redes sociais, evitando o compartilhamento de postagens sem antes verificar a procedência e a fonte da informação. Isso reduziria o número de vítimas dessa problemática e, consequentemente, os perigos que ela representa. Só assim a verdade poderá ser estabelecida, diferente do que se presenciou no governo varguista.