Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 15/10/2019

O autor do livro “Brasil: um país do futuro” Stefan Zweig escreveu sobre o país durante o período em que esteve exilado no Rio de Janeiro na Segunda Guerra Mundial. Em contraste à célebre frase do escritor é irrefutável que o Brasil está muito longe de corresponder a tal estereótipo idealizado. Visto que, a divulgação e o compartilhamento de diversas fake news na internet tem sido uma das ferramentas mais utilizadas para manipulação da grande massa e acentuação da terrível falta de criticidade da população.

Em primeiro lugar, é necessário destacar que a propagação de notícias falsas é um mecanismo usado para manipular a opinião da sociedade. Em consonante com o sociólogo Pierre Levy, o cyberespaço contribui para democratizar o conhecimento, contudo ele dá margem para que os fatos sejam desfigurados em prol de ideologias oportunistas. Nesse sentido, muitas empresas e grupos socias divulgam notícias que parecem verdadeiras, mas são totalmente ou parcialmente falsas, as quais induzem a população a defender certas ideias incoerentes e adquirir produtos de má qualidade. Fato que é extremamente prejudicial, já que com a manipulação da grande massa torna-se difícil distinguir quais informações na internet são confiáveis.

Adicionado à isso, observa-se a ausência de criticidade das pessoas que compartilham as fake news, antes de investigar se são realmente verídicas. Nessa perspectiva, o filósofo Nietzsche destacou: “Nenhum pastor e um só rebanho”, frase que evidencia a realidade, na qual as pessoas confiam em postagens sem autenticidade, e auxiliam na sua disseminação em redes sociais. Isso acarreta um circuito vicioso, pois quando uma pessoa posta em seus aplicativos tal notícia, seus amigos por confiarem no indivíduo passam a confiar na postagem e também compartilham sem averiguar. Dessa forma, muitas vezes, a prática se torna atrativa, uma vez que após as fake news serem expostas na internet a própria sociedade se “encarrega” de reproduzi-lás,

Urge, portanto que ações sejam realizadas para reduzir os efeitos das fake news no Brasil. Cabe ao Ministério da Cultura elaborar projetos para enriquecer o repertório cultural dos jovens, por meio de contratos com palestrantes de temas poucos explorados em sala de aula, estimulando atividades lúdicas que permitam a autonomia e despertem a criticidade do público. Ademais, o Governo deve fiscalizar e punir grupos socias que utilizam as fake news como meios de difusão de ideologias oportunistas. Para que assim, o país possa finalmente corresponder ao estereótipo idealizado por Stefan Zweig.