Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 21/10/2019
Isso não é uma verdade
Getúlio Vargas e seus aliados, em 1937, forjaram um documento que mostrava a suposta iniciativa dos comunistas para a tomada do poder brasileiro. Tal manipulação gerou grande temor por parte da população. Como consequência, a sociedade acreditava na necessidade de um governo que sanasse uma possível ameaça, fato que consolidou a permanência de Vargas no poder. Embora ocorrido no século XX, as notícias falsas se mostram cada vez mais fortalecidas no cenário atual. Nesse sentido, faz-se necessário analisar o assunto, promovendo mudanças no cenário atual.
Em primeiro lugar, é necessário destacar o malefício das fakes news para uma sociedade democrática. Segundo o sociólogo Karl Marx, uma ideologia é criada como forma de mistificar e inverter as realidades dos fatos, com o objetivo de alienar um grupo social. Portanto, entende-se que as divulgações de textos não verdadeiros são oriundas de um propósito para beneficiar alguém, como ocorreu com a divulgação de mentiras sobre a candidata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, com a finalidade de favorecer o Donald Trump, nas eleições de 2016. Assim, as mentiras corroboram para uma sociedade cada vez menos crítica e também promovem a construção de uma massificação de pensamento.
Entretanto, não é de hoje que boatos geram efeitos irreversíveis para a sociedade. Uma notícia compartilhada muitas vezes, mesmo que seja falsa, acaba se tornando uma verdade. Em 2014, uma mulher morreu após ser espancada por moradores do Guarujá a partir de mentiras contadas em uma rede social, acusando-a de praticar magia negra com crianças. Dessa forma, esse mecanismo de cegueira social é acentuado com a desproteção governamental sobre o problema. No Brasil não há nenhuma lei que criminalize e puna quem produz e compartilha esse tipo de conteúdo falso, fato que gera ainda mais dificuldade para erradicar a ação de divulgação indevida dos assuntos nos ambientes físicos e virtuais.
Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para coibir a proliferação de informações que não sejam verdadeiras e prejudiquem a população. Cabe aos Estados, por meio de leis e de investimentos, com um planejamento adequado, estabelecer políticas públicas efetivas que auxiliem a população a “navegar” de forma correta na internet, mostrando às pessoas a relevância existente em utilizar o meio virtual racionalmente, a fim de acabar com casos como da moradora do Guarujá. Ademais, os deputados devem colocar em pauta leis que visam criminalizar pessoas que agem espalhando mentiras.