Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/11/2019
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Em busca da política”, nenhuma nação que esquece a arte de questionar pode esperar encontrar respostas para as adversidades que a afligem. Nessa perspectiva, tornam-se passíveis de discussão os problemas enfrentados pela sociedade brasileira no que tange aos perigos das “Fake News” na era da informação. Logo, poder público e coletividade devem se perguntar acerca do seu papel no enfrentamento dessa demanda social.
Em primeira instância, pode-se abordar que parte dessa problemática se deva à negligência estatal no que diz respeito à falta de informações verdadeiras vinculadas a fontes do poder público. Ademais, de acordo com o constitucionalista Alexandre de Morais, a garantia de receber informações verdadeiras é um direito de liberdade e se caracteriza, essencialmente, por estar dirigido a todos os cidadãos, independentemente de raça, credo ou convicção político-filosófica. Tudo isso, deve ter como finalidade o fornecimento de subsídios para a formação de convicções relativas a assuntos políticos.
De outra parte, deve-se citar que a população brasileira tem grande colaboração no que se refere à proliferação das “Fake News”, uma vez que os indivíduos lançam informações uns aos outros sem terem o cuidado de saber quais são suas fontes e se são confiáveis. Diante disso, vale citar o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que diz que não há fatos, apenas interpretações. Tal citação explica que cada pessoa possui um parâmetro diferente frente à alguma notícia. Isso demonstra a necessidade de cada indivíduo buscar desenvolver, diariamente, uma determinada consciência crítica sobre o que lê.
Urge, portanto, que o Estado, via contratação de agentes especiais do ramo da tecnologia e comunicação, crie plataformas tecnológicas baseadas na informação e no conhecimento que interajam com a população e tenham como objetivo facilitar serviços, acelerar processos e aumentar a transparência e participação social. Assim, ocorrerá a ampliação da nitidez das ações governamentais. Ademais, as escolas, com apoio do Ministério da Educação, devem alertar seus alunos de que consumir informação sem filtrá-la antes pode deixá-los desinformados ou com uma percepção distorcida a respeito de algo, por meio de aulas que incluam livros de estudiosos ou filósofos que abordem a importância do questionamento e da busca pelo conhecimento. Deste modo, observada uma ação conjunta entre instituições públicas e sociedade civil, o pais caminhará na direção de um futuro melhor.