Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 01/04/2020
Babel contemporânea O castigo divino de confundir as línguas, de modo a impedir o entendimento entre os povos é o clímax do conto: Torre de Babel. Essa antiga narrativa se relaciona ao mundo hodierno, por metaforizar o principal fenômeno que tem levado as sociedades ao atoleiro do desentendimento: as fake news. Visto que são desencadeadas pelo restrito acesso à educação de qualidade, essa problemática social é capaz de corromper, progressivamente, os direitos do cidadão. Desse modo, reverter esse quadro em busca de ampliar a visão popular – eis a missão de um país que se diz democrático. Em primeira análise, é lícito postular que a falta de leitura e de questionamento traz como consequência a ignorância e o senso comum. Pesquisas realizadas pelo Instituto Reuters para o Estado do Jornalismo, revelam que as redes sociais são a maior fonte de notícias para os brasileiros. Dessa forma, um país reconhecido por ter a educação como falha e desprovida de recursos, se torna um catalizador para a ação das fake news. Na medida em que, os produtores de conteúdo se utilizam de manchetes sensacionalistas e posicionamentos extremos, com o objetivo de aumentar seu engajamento virtual. Posto que, o fenômeno das notícias falsas tem como berço o campo subjetivo, por lá encontrarem o anonimato e ambiguidade necessários nesse novo arranjo tecnológico-digital. Dessarte, a Carta Magna brasileira, que tem como um dos seus princípios básicos o direto à informação, tem sua ação transgredida. De acordo com Carlos Heitor Cony, a internet é um universo virtual que, se não usado de forma consciente, é fonte de uma poluição espiritual. Dessa maneira, informações que antes eram confrontadas pela sua falibilidade, encontram no século XXI, distorções propositais que visam a prejuízos morais e financeiros. Sendo assim, o indivíduo e as empresas buscam no Poder Judiciário a reparação aos danos causados à sua imagem. Contudo, essa ação tem como consequência o congestionamento desse órgão, o que acarreta, em longo prazo, ao não cumprimento desse direito constitucional. Fica evidente, portanto, que as fake news apresentam efeitos sociais que impedem a atuação plena da cidadania. Logo, o Ministério da Educação, por meio da disciplina de Sociologia, deve trabalhar com os alunos do ensino fundamental II e médio, a questão das fake news durante as aulas de Ética, para que, desde jovens, compreendam os transtornos desencadeados por esse fenômeno. Bem como, além de trazer esse debate como tópico a ser elaborado em classe, pode desenvolver campanhas nas redes sociais para uma maior abrangência social e reforço desse conceito reconhecido como imoral. A fim de que, sua ação potencialize um uso consciente na postagem de informações, o que representará uma alfabetização digital e o primeiro passo na formação do cidadão crítico e liberto dessa Babel contemporânea, um castigo digital no qual ninguém se entende.