Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 12/05/2020

A Constituição Federal de 1988 assegura que o acesso às informações é um direito de todos os cidadãos. Entretanto, percebe-se que, na atual realidade do Brasil, não há o cumprimento de tal garantia, principalmente, no que diz respeito aos perigos das “fake news”, visto que, segundo o estudo feito pela empresa Kaspersky, 6 a cada 10 brasileiros não reconhecem quando as notícias são falsas. Esse cenário ocorre não só em razão do avanço das redes sociais, como também por causa da falta de senso crítico. Destarte, urge a adoção de medidas para reverter esse panorama.

Em primeira análise, é evidente que a ascensão das tecnologias, especialmente por conta do surgimento da internet, durante o período da Guerra Fria, está entre as causas do problema, dado que as redes sociais são os principais meios de propagação de notícias. Contudo, além dos inúmeros benefícios fornecidos por essas, o mundo virtual permite a divulgação de informações não verídicas, uma vez que 70% dos compartilhamentos são “fake news”, consoante a pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, sobretudo, se for sobre política, como perceptível na última eleição norte-americana. Desse modo, é inadmissível a persistência dessa situação vivida, sendo medidas necessárias para mudar a questão social.

Outrossim, salienta-se a ausência de pensamento crítico como mais um fator que contribui com a problemática, visto que a maioria da população compartilha informações sem antes consultar sua veracidade. Essas notícias podem gerar sérias consequências na sociedade, como, por exemplo, o caso polêmico, noticiado pelo G1, de um médico que publicou, em uma revista científica, sobre a relação entre a vacina da tríplice viral e o autismo. Esse falso anúncio provocou um movimento anti-vacinação. Assim, é inaceitável a persistência desse cenário, em pleno século XXI, o qual afeta a vida das pessoas em inúmeros aspectos.

Percebe-se, portanto, que o debate acerca dos perigos das “fake news” é imprescindível para a construção de uma sociedade mais segura. Dessa maneira, o setor midiático deve controlar a propagação das informações falsas nas redes sociais, por meio da limitação do número de compartilhamentos da mesma notícia. Além disso, é necessário que o Estado oriente a população a respeito das consequências desses noticiários, através de campanhas nas mídias que conscientize os indivíduos sobre a importância de buscarem esses em fontes confiáveis. O intuito de tais medidas é, principalmente, minimizar a propagação das notícias não verídicas. Destarte, torna-se-á possível a concepção de uma comunidade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Constituição.