Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 28/05/2020

O filósofo grego Platão de forma egrégia no Mito da Caverna evidencia através de metáforas a condição de ignorância que os indivíduos estão inseridos. Analogamente, as fakes news, divulgação demasiadamente deturpada, poder ser considerada a caverna da obra, visto que neste cenário o homem se encontra alienado e preso, distante da realidade. Dessa forma, é evidente que as notícias inexatas apresentam riscos para a era da informação, por conta que produz histeria coletiva e, consequentemente, instabilidade na população, além de ocasionar a ausência de senso crítico.

É lícito pontuar, de início, que a histeria generalizada tem sido um fator preocupante com a propagação de inverdades nas mídias. Nesse sentindo, na maioria dos casos as pessoas não procuram a veracidade das matérias e acabam difundindo o sentimento de medo e revolta dependendo da redação que for repassada. Partindo deste pressuposto, George Orwell no seu livro “1984” destaca o Grande Irmão como o tirano amedrontador, todavia abstrato, ou seja, nem sempre o papel de ditador tem respaldo na figura visível. Paralelo a isso, as fakes news se assemelha ao personagem do britânico, por meio da invisibilidade repressora que essa causa na sociedade.

Ademais, a ausência da criticidade do ser humano na era tecnológica provoca inconstância no âmbito social. Segundo, Nicholas Carr, em sua obra “The Shallows”, a internet acentua no indivíduo o pensamento superficial em detrimento da análise crítica, introspecção e reflexão profunda, o qual reflete uma sociedade leviana. Nota-se, portanto, que o exagero de noticiários, na maioria falsos, aceleram o processo de superficialidade, pois o tempo para elucubração de cada matéria é escassa.

Diante dos fatos supracitados, fazem-se necessárias medidas que visem minimizar os riscos da fake news na era da informação. Cabe ao Ministro das Comunicações, Marcos Pontes, consolidar políticas de transparência digital, por meio do aprimoramento dos programas públicos virtuais que fiscalizem a correta aplicação da “Lei de Acesso à Informação” no país, a fim de inviabilizar as notícias falsas e conter a histeria coletiva. Em conformidade, as divulgações serão pontuais e a população poderá ter uma reflexão profunda de cada problemática. Somente, assim, o homem livre da caverna é  de fato capaz de usufruir da realidade vigente.