Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 15/06/2020

’      De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação“. Embora essa visão seja correta, observa-se o oposto nos veículos de informação: a frequente disseminação de notícias falsas, principalmente com intuito de persuadir a população acerca de um posicionamento. É necessário, portanto, analisar os perigos relacionados as “fake news”, com destaque a ameaça à democracia e incitação ao ódio.

Em primeiro lugar, muito se discute sobre a influência de notícias mentirosas sob a política, o que constitui um perigo à democracia. Nas eleições norte-americana de 2016, as “fake news” tiveram papel fundamental no resultado das urnas. Segundo o Facebook, estima-se que um terço dos eleitores foi exposto a publicações enganosas pró-Donald Trump, o que resultou no aumento do prestígio do candidato. Como consequência, apesar das pesquisas e previsões não apontarem o Republicano como favorito, Trump derrotou Hillary Clinton e tornou-se presidente dos Estados Unidos naquele ano. Desse modo, percebe-se o poder das “fake news” nas relações políticas.

Outra preocupação constante é o discurso de ódio promovido pelas notícias falsas, o que contribui com situações de injustiça e preconceito. Acusações e denúncias caluniosas, mesmo sem prova, são compartilhadas frequentemente e provocam discurso e atos desrespeitosos pela população. Recentemente na Índia dois homens inocentes foram linchados até a morte após alegações indevidas, espalhadas com o aplicativo “Whats-app”, que eles participavam de uma quadrilha de venda de órgãos.  Isso está em conformidade com o conceito de menoridade intelectual, proposto por Kant, uma vez que devido à falta de autonomia sobre seus intelectos, o ser humano é influenciado e manipulado por outro indivíduo. De maneira análoga, ao observar uma notícia difamando determinado grupo ou cidadão, as pessoas têm sua opinião e comportamento moldados – sem questionar a veracidade dos fatos.

Diante do exposto, faz-se urgente combater as “fake news”. As empresas proprietárias de meios de compartilhamento de notícias, como o Facebook e “Whats-app”, devem investir em algoritmos, de maneira a identificar e excluir publicações duvidosas. Aliado a isso, instituições escolares devem promover debates e seminários para o desenvolvimento do senso crítico dos alunos. Espera-se, com essa medida, reduzir a situação de insuficiência intelectual dos indivíduos, a fim de que consigam identificar se uma informação é, ou não, verdadeira. Só assim, as notícias poderão ser utilizadas como instrumento confiável de democratização.