Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 20/06/2020

De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação. Embora essa visão seja correta, observa-se o oposto nos veículos de informação: a frequente disseminação de notícias falsas, principalmente com intuito de persuadir a população acerca de um posicionamento. Logo, é necessário analisar os perigos relacionados às fake news, com destaque a ameaça à democracia e incitação ao ódio.

Em primeiro lugar, notícias mentirosas exercem influência no posicionamento político-ideológico dos cidadãos, o que constitui um perigo à democracia. Nas eleições norte-americanas de 2016, as fake news tiveram papel fundamental no resultado das urnas. Segundo o Facebook, estima-se que um terço dos eleitores foi exposto a publicações enganosas pró-Donald Trump, como a de que o Papa Francisco apoiava sua candidatura, resultando no aumento do prestígio do candidato. Como consequência, apesar das previsões apontarem Hillary Clinton como favorita, o Republicano a derrotou e tornou-se presidente dos Estados Unidos naquele ano. Desse modo, percebe-se o poder das publicações falsas no espectro político.

Outra preocupação constante é o discurso de ódio promovido pelas fake news, o que contribui com situações de injustiça e preconceito. Recentemente, na Índia, dois homens inocentes foram linchados até a morte após alegações falsas, compartilhadas pelo aplicativo WhatsApp, que eles participavam de uma quadrilha de venda de órgãos. É fato, portanto, que acusações e denúncias caluniosas, mesmo sem prova, são respostadas frequentemente e provocam atos desrespeitosos pela população. Isso está em conformidade com o conceito de menoridade intelectual, proposto por Kant, uma vez que devido à falta de autonomia sobre seus intelectos, o ser humano é influenciado e manipulado por outro indivíduo. De maneira análoga, ao observar uma notícia difamando determinado grupo ou cidadão, as pessoas têm sua opinião e comportamento moldados – sem questionar a veracidade dos fatos.

Com o intuito de amenizar essa problemática, os canais de compartilhamento de notícias devem investir em algoritmos capazes de identificar padrões textuais, linguísticos e de construção de sentenças para determinar a veracidade de informações publicadas, a fim de excluir tais publicações e reduzir seu raio de alcance. Aliado a isso, cabe ao Ministério da Educação ofertar palestras e seminários nas escolas para orientar os alunos a buscarem e checarem as informações em fontes confiáveis, com vistas à estimular o pensamento crítico da população e reduzir a situação de insuficiência intelectual dos indivíduos. Só assim, as notícias poderão ser utilizadas como instrumento confiável de democratização.