Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/07/2020

“Tornou-se chocantemente óbvio nossa tecnologia ter excedido nossa humanidade”. A fala do físico alemão Albert Einstein, expressa uma das sequelas da sociedade pós modernismo: o fenômeno crescente da divulgação de notícias falsas, conhecidas como fake news, que afeta negativamente setores essenciais, como o da saúde e causa transtornos no âmbito social. Diante da gravidade desse cenário, urge maior empenho do Poder Público e da sociedade civil para seu efetivo combate.

Em primeiro plano, é cabível salientar que as redes sociais são impulsionadoras do problema, principalmente pela sua facilidade de comunicação e propagação de informações, na qual tem oportunizado a disseminação de inverdades que prejudicam a coletividade. Na área da saúde, por exemplo, o Ministério da Saúde disponibilizou uma plataforma exclusiva para debelar e esclarecer falsas notícias sobre epidemias ou a propaganda de soluções “mágicas” para determinadas doenças, constantemente reproduzidas na internet. Contudo, tal medida não tem sido suficiente para erradicar a vicissitude, uma vez que, as fakes news têm um grande poder de persuasão, especialmente por ocasionar um alarde na população - devido à relevância da temática – o que dificulta, ainda mais, reverter o atual cenário. Destarte, enquanto a ineficácia do poder público não for superada, torna - se complexo contornar o entrave no país.

Ademais, é fato que as mídias sociais são formadoras de opinião e impactam diretamente no cotidiano das pessoas. Nesse contexto, o filósofo Joseph Goebbels já afirmava: “Uma mentira contava mil vezes, torna-se uma verdade”. Tal máxima, comprova que as notícias falsas repetidas sucessivamente podem adquirir um aspecto de verdade diante do público, e seus efeitos tem consequências graves, como o notório caso ocorrido em 2014, do linchamento de uma dona de casa na cidade de Guarujá, no litoral do estado de São Paulo, vítima de fake news. Diante disso, é impreterível que o poder público aja, rigorosamente, em inibir qualquer prática que possa ameaçar o bem estar da sociedade, além de alertar a população sobre a seriedade de compartilhar informações improcedentes.

Portanto,cabe ao Estado, mediante ao redirecionamento de verbas, investir em tecnologia para fiscalizar, identificar e punir severamente quem comete crimes virtuais, como também seguir o exemplo da França em criar uma lei específica para esse tipo de crime - que dá aos juízes o poder de retirar sites e contas das redes sociais que contenham fake news.Cabe, ainda, estabelecer nas escolas palestras para orientar os jovens sobre o uso consciente da internet, com o fito de promover a cultura da criticidade diante dos dados expostos na mídia.Outrossim, cartilhas educativas devem ser distribuídas para advertir a população em geral sobre os riscos de evidenciar conteúdos infundados.