Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 04/07/2020
Na Grécia Antiga, os sofistas constituíam mestres da oratória que manipulavam o discurso em prol da persuasão sem preocupar-se com a veracidade da informação. De maneira análoga, é perceptível a permanência dessa prática na atual sociedade brasileira, por meio da propagação das “fake news”, notícias de cunho duvidoso que alteram a autenticidade dos fatos, semelhante ao labor sofista. Desse modo, convém analisar seus perigos na atual era informacional do País, caracterizados pela disseminação dos discursos de ódio, com consequente manipulação do comportamento político.
Em primeira análise, é válido destacar a difusão de opiniões opressoras como uma das facilidades atreladas ao conteúdo “fake”. Tal realidade justifica-se pelo fenômeno sociológico da pós-verdade, no qual indivíduos tendem a acreditar apenas em fatos condizentes com suas crenças pessoais, de modo a sobrepor o senso moral ao espírito crítico. Dessa forma, incitações de ódio tornam-se recorrentes no meio digital, disseminando a violência. Nessa perspectiva, a jornalista Maju Coutinho, por exemplo, foi atacada em suas redes sociais após boatos falsos de que trabalharia até de graça pela queda do presidente Jair Bolsonaro. Fica nítido, portanto, como determinados posicionamentos, orientados pela pós-verdade, determinam a própria realidade, inibindo a formação de um olhar reflexivo.
Sob uma segunda ótica, observa-se uma consequente manipulação comportamental política, fruto da alienação exercida pelas “fake news”. Nesse contexto, durante as eleições presidenciais brasileiras de 2018, empresários filiados ao candidato já mencionado, Jair Bolsonaro, financiaram o envio de pacotes de mensagens falsas acerca do concorrente Fernando Haddad, por intermédio do “WhatsApp”, para persuasão do voto popular. Nesse ínterim, o controle político em massa foi estabelecido mediante a falta de mecanismos tecnológicos para a detecção do conteúdo duvidoso, além do comodismo do próprio usuário com relação a busca por outras fontes de pesquisa.
Face a esse contexto, com o fito de fomentar o posicionamento crítico do internauta, é mister que o Governo Federal, por meio do Ministério da Tecnologia, Inovação e Comunicação, e em parceira com as empresas das principais redes sociais, desenvolvam aplicativos de filtragem informacional. Esses devem não somente alertar o usuário quanto aos conteúdos “fake”, mas disponibilizar “links” de páginas diversas relacionadas a uma mesma notícia. Além disso, é fundamental a criação de canais de suporte remoto na própria ferramenta, que possam avaliar conteúdos enviados pelo usuário. Somente assim, poderemos erradicar a manipulação sofista na era digital.