Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 04/07/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa Simone de Beauvoir pode servir de metáfora a evolução das fake news no âmbito informacional brasileiro, uma vez que, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto das especulações midiáticas quanto do silenciamento pessoal.
Deve-se analisar, primeiramente, que a massa de informações falsas expostas pela mídia é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, sabe-se que a propagação de notícias falsas é um impasse enraizado na sociedade desde o governo Getulista, no qual, através do Plano Cohen divulgou inverdades informacionais sobre a suposta “Intentona Comunista de 1935”. Nesse diapasão, torna-se evidente que tais raízes ainda estão eminentemente enraizadas na população brasileira, uma vez que se percebe a disseminação de conclusões noticiarias incorretas por parte das mídias sociais, visto que, tais circulações promovem um grande lucro para as empresas que se utilizam desses artifícios, por exemplo, um garoto deficiente que ganha 0,15 centavos por cada compartilhamento na internet. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.
É vital evidenciar, ainda, que a infestação das fakes news encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse prisma, para que haja a exclusão das falsas notícias, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Forbes, o Brasil é o terceiro país do mundo com maior nível de fake news. Nesse lógica, trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada, dando sentido ao movimento. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com o Poder Legislativo, por meio de ações: leis mais amplas, fiscalizações mais rigorosas, publicações em redes sociais e bate-papos nos centros urbanos, orientar toda parcela populacional sobre as consequências das fakes news no cenário social e como evitá-las aderindo um comportamento mais critico diante tal empecilho, para que, de tal forma, as noticias falsas possam ser arrebatas das camadas populacionais brasileiras. Somente, assim, os escândalos evidenciados por Simone de Beauvoir poderão ser desabituados da nação.