Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/07/2020
Segundo Umberto Eco, escritor e filósofo italiano, as mídias sociais deram palavra para uma legião de imbecis. Esse pensamento relaciona-se com o atual cenário de compartilhamento de “fake news” nas redes, em que não há questionamento da veracidade dos conteúdos. Por conseguinte, torna-se difícil diminuir a velocidade de propagação dessas notícias e controlar os riscos que essa conjuntura proporciona.
Em primeiro lugar, existem dois fatores que contribuem para a rápida disseminação das notícias falsas. Assim, o primeiro pode ser demonstrado pelo conceito de “pós-verdade”. Esse, eleito a palavra do ano de 2016 pelo dicionário da Oxford, diz respeito à aceitação de uma informação como verídica de acordo com a crença de quem a recebe, ou seja, se a pessoa pensa de acordo com o que foi dito, ela tomará como verdade e consequentemente compartilhará sem verificar os fatos. O segundo é o que chama-se de “efeito manada” ou “groupthink”, e refere-se ao comportamento de um indivíduo que deixa de manifestar sua opinião para fazer parte de um posicionamento coletivo. Logo, essa atitude o fará parar de questionar a ordem de um grupo e seus ideais, tornando-o uma fácil vítima das fake news e um possível propagador.
Dessa maneira, por causa da alta velocidade de propagação e conteúdos sérios de algumas dessas notícias, a sociedade da (des)informação pode ser perigosa. Nesse contexto, a atual pandemia de covid-19 pode ser observada como exemplo das consequências advindas do compartilhamento de conteúdos falsos. Dessarte, muitas fake news já foram publicadas com possíveis remédios que ajudariam no tratamento de tal doença, um deles foi a hidroxicloroquina. Assim, tão grande o desespero da população, o medicamento chegou a faltar em farmácias, o que possivelmente não teria acontecido se as pessoas esperassem provas da eficácia e lido os efeitos colaterais, pois acabaram colocando sua saúde em risco, visto que provavelmente praticaram a automedicação. Ademais, segundo site O Globo, um idoso morreu nos Estados Unidos por tomar um remédio que conteria a cloroquina em sua composição. Deixando evidente as consequências das fake news e a falta de averiguação.
Torna-se claro que é necessário mais cuidado ao publicar as notícias. Dessa forma, cabe ao Estado promover, junto com a mídia, a conscientização acerca dos perigos das falsas informações compartilhadas, por meio de propagandas, merchandising em novelas e matérias em jornais, para que as pessoas pesquisem a veracidade dos conteúdos e não pratiquem a pós-verdade ou deixem-se levar pelo efeito groupthink, conceitos que também deverão ser ensinados. Desse modo, o senso crítico será fortalecido e a fala de Umberto Eco será contrariada.