Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 11/08/2020

Através do fácil acesso aos meios de comunicação, o conceito de Fake News ganhou forma. Este está atrelado a notícias fraudulentas munidas de artifícios que as fazem soar verdadeiras. Em 2018, o Instituto Mundial de Pesquisa (IPSO) divulgou um estudo chamado “Notícias falsas, filtro de bolhas, pós-verdade e verdade”, o qual revelou que 62% dos entrevistados brasileiros admitiram ter acreditado em notícias falsas. O compartilhamento de informações adulteradas apresenta graves consequências sociais, principalmente em relação à saúde da população e à credibilidade dos órgãos federais, além de promover o ódio entre culturas e ideologias políticas diferentes, o que afeta diretamente a democracia.

Inicialmente, quando se analisa a projeção das consequências das Fake News sobre o campo da Saúde, deve-se atentar ao poder das mesmas de aumentar o número de indivíduos que adoecem. Em 2018, o movimento “antivacina” teve início quando indivíduos contrários ao uso de vacinas contra febre amarela, poliomielite, sarampo, microcefalia e gripe passaram a espalhar argumentos desfavoráveis às composições químicas para tais imunizações. Como consequência, houve um crescimento alarmante no número de casos de sarampo nesse mesmo ano. Além do mais, muitos indivíduos foram tomados pela desconfiança em relação às medidas adotadas pelo Ministério da Saúde, o que é muito perigoso em tempos de surtos e epidemias.

Concomitantemente, o Brasil vive uma forte polarização política, onde as notícias falsas tornaram esse cenário desconcertante. Na eleição de 2018, a mais digital da história brasileira, notícias falsas tornaram-se um gatilho para discussões desrespeitosas entre pessoas, quando o tempo deveria ter sido utilizado a favor das necessidades do povo. No contexto das Fake News, é interessante a adoção das etapas do método cartesiano, que aconselham o indivíduo a não aceitar toda informação que chega até ele como uma verdade evidente. Para isso, é preciso fazer uma análise detalhada de todos os pontos, e conduzir o pensamento do mais simples ao mais complexo permitindo-se entregar ao benefício da dúvida.

Diante do exposto, entende-se que o compartilhamento de informações infundadas é um problema a ser combatido. Cabe aos professores de interpretação de texto do ensino básico, ministrarem aulas que capacitem os futuros usuários da tecnologia a serem responsáveis pelo que divulgam através da prática assídua da leitura e da autorreflexão. Cabe ao Ministério da Saúde e ao Tribunal Superior Eleitoral, respectivamente, fazer uso das mídias sociais para levar conhecimento científico de forma dinâmica e diária, e divulgar vídeos objetivos sobre como evitar as Fake News, como foi feito na campanha “O Minuto Checagem”. Assim, o Brasil caminhará rumo a plenitude da responsabilidade cidadã.