Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 22/07/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de problema. No entanto, a realidade retratada no Brasil contemporâneo é contrária àquela imaginada pelo autor, na qual os perigos das “Fake News” na era da informação dificultam na construção de um país melhor. Nesse sentido, esse cenário antagônico é fruto da omissão estatal e da mídia.

Com efeito, a propagação de notícias falsas é prejudicial à população, pois suas consequências colocam em xeque a credibilidade das mídias digitais. Ademais, segundo Joseph Goebbles, ministro da Propaganda do nazismo, “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Diante disso, a doutrinação midiática montou a estratégia de comunicação para disseminar os ideais nazistas, fazendo, assim, com que as notícias que propagassem fossem consideradas verdadeiras, mesmo sendo de cunho falso e prejudicial. Logo, a sociedade não procura a veracidade do assunto, apenas acredita e compartilha.

Outrossim, é fato que a omissão estatal frente à propagação de ações efetivas para a proteção da sociedade contra notícias falsas colabora para a desordem. Dessa forma, para o jornalista Gilberto Dismentein, tal fato é transcrito nas ideias de “Cidadãos de Papel”, uma vez que os direitos figuram tão somente na teoria e não na prática, como o direito à informação, previsto no artigo quinto da Constituição. Em síntese, isso acontece porque o Governo Federal e Municipal não realizam medidas efetivas para o combate as “Fakes News”, permitindo com que a sociedade fique exposta à manipulação das notícias.

Portanto, medidas devem ser tomadas para mitigar o problema. Então, as escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre a veracidade das notícias propagadas nas grandes mídias, tanto no ambiente doméstico quanto estudantil, por meio de palestras socioeducativas, por intermédio de psicólogos que falem acerca dos riscos do compartilhamento de informações, com o intuito de desenvolver, desde a infância, a capacidade de não acreditar em qualquer informação da internet. Além disso, cabe a CONAR (Conselho Nacional da Autorregulamentação Publicitária) fiscalizar os comerciais das empresas privadas que utilizam das notícias falsas para obter lucro, mediante punições para as empresas que não cumprirem, a fim de acabar com as imposições midiáticas. Assim sendo, o Brasil se aproximará dos pensamentos de More.