Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/08/2020

A distopia “1984”, de George Orwell, narra a existência do “Ministério da Verdade”, órgão responsável por alterar os fatos e por moldá-los de acordo com os interesses de parcela da população. Fora da ficção, a disseminação de notícias falsas torna a realidade mundial semelhante ao futuro distópico idealizado por Orwell, já que as informações são manipuladas constantemente. Cabe destacar que a falta de instrução dos cidadãos contribui para a disseminação das “Fake News” que geram graves consequências, o que torna necessária a aplicação de medidas para reverter esse cenário.

Convém ressaltar, a princípio, que para Leandro Karnal, historiador brasileiro, a pós-verdade é uma “seleção afetiva de identidade”, por meio da qual os indivíduos disseminam as notícias que melhor se adaptam aos seus conceitos. Seguindo essa linha de raciocínio, é possível inferir que as pessoas que não possuem instrução para buscar fonte, data e averiguar a credibilidade do órgão midiático ficam vulneráveis a compartilhar apenas  aquilo que atente aos seus interesses e, nem sempre, tais constatações são verdadeiras. Com isso, torna-se claro que os cidadãos precisam receber informações a respeito de como agir diante da grande quantidade de dados que recebem, para que seja possível que desenvolvam uma postura crítica diante dos fatos.

Ademais, é importante salientar que as “Fake News” são um perigo para a população, uma vez que elas têm potencial para gerar acusações falsas sobre algum indivíduo, influenciar resultados de campanhas eleitorais e manipular a sociedade para adotar determinadas posturas que atendam os interesses de uma pessoa ou grupo de pessoas. De acordo com a BBC News, em agosto de 2018, no México, dois cidadãos foram mortos por uma população assustada com mensagens de “Whatsapp” sem comprovações que diziam que eles eram sequestradores de crianças. Tal informação é um exemplo do poder destrutivo das notícias falsas e de suas graves consequências.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que menos pessoas sejam vítimas dos perigos das “Fake News”. Para tanto, cabe à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ( UNESCO ), em parceria com os governantes dos países membros da ONU, promoverem programas para informar a população mundial a respeito de como agir diante da grande quantidade de dados que recebe. Para isso, deverão ser adicionadas, no currículo do sistema de Educação Básica, aulas sobre a necessidade de verificar a veracidade das notícias recebidas, para que seja possível que os cidadãos desenvolvam, desde a juventude, a capacidade de buscar, de forma autônoma e nos meios adequados, informações verídicas. Com tais implementações, o futuro distópico proposto por George Orwell ficará cada vez mais distante da realidade.