Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 24/08/2020

Na Era Vargas foi criado o “Plano Cohen”, documento falso que simulava uma ameaça comunista, a disseminação de seu conteúdo serviu como pretexto para a instauração do Estado Novo, mudando o rumo da política brasileira. Atualmente, as notícias falsas ainda têm influencia na sociedade e a internet tornou-se uma ferramenta que contribui para sua propagação. Nesse contexto, deve-se analisar que o sensacionalismo e a falta de rigor nas leis no meio digital contribuem para o aumento de “fake news”.

Inicialmente, é importante destacar o sensacionalismo como um agravante da problemática. No filme “O Abutre”, os jornais utilizam imagens chocantes para atrair mais audiência. Não distante da ficção, nota-se que o “clickbait” (uso de títulos sensacionalistas para gerar cliques em conteúdo) tem se tornado uma ferramenta bastante usada por sites de notícias. Logo, manchetes apelativas incentivam a proliferação de notícias falsas e tendenciosas, tendo em vista que 7 em cada 10 brasileiros só leem os títulos das notícias, sem verificar o conteúdo - segundo a DNPontoCom.

Além disso, a falta rigor nas leis também é um problema. As “fakes news” geralmente possuem caráter difamatório e, apesar do Código Penal brasileiro assegurar a punição de práticas de calúnia e difamação, não há tanta eficácia na repreensão de quem propaga esse tipo de informação na internet. Exemplo disso é o fato de que poucas pessoas foram punidas por espalharem inúmeras notícias falsas e caluniosas a respeito da ex-vereadora Marielle Franco. Consequentemente, os criadores dessas notícias continuam a ter certa “liberdade” em criá-las, haja vista que dificilmente são punidos.

Portanto, ficam claros os fatores que influenciam a propagação de “fake news”. Assim, o Ministério da Educação, em conjunto com a mídia, deve promover campanhas educativas, por meio de profissionais da informatica que ensinem como identificar conteúdos falsos, afim de evitar que as pessoas acreditem em qualquer notícia - e não as espalhem. Ademais, cabe ao Legislativo enrijecer as leis no meio digital, através da parceria com as redes sociais e suas ferramentas de denúncia, para que os criadores de “fake news” sejam identificados e punidos. Dessa forma, as notícias falsas não terão mais tanta influência sobre a sociedade.