Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/09/2020

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e as notícias falsas no Brasil, uma vez que, diante desse impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os avanços e desafios que envolvem essa questão no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público tem demostrado uma certa funcionalidade ao fiscalizar a disseminação de “fake News”. Isso porque, com essa medida, um indivíduo pode ter interesse em propagar notícias falsas. Contudo, entender que pode ser punido tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, uma pessoa sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Entretanto, evidencia-se que há uma certa resignação social perante as notícias falsas. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população perante a ausência de investimento financeiro estatal, visto que faltam verbas para potencializar a formação do ensino básico dos alunos para que eles consigam distinguir uma “fake News” de uma informação verdadeira, prejudicando, dessa forma, o desenvolvimento racional deste. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, desse modo, o senso crítico deles.

Constata-se, finalmente, que as notícias falsas devem ser solucionadas. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a intensificação do processo de fiscalização, priorizando a ampliação de quadro de funcionários na inspeção, com o objetivo de fortalecer o receio de disseminar “fake News”. Ademais, é fundamental sensibilizar a sociedade, via campanhas midiáticas produzidas por organizações não governamentais, a fim de que não haja a banalização das informações fraudulentas, o que pode ser potencializado por intermédio do Ministério da Educação, através do financiamento de aulas nas escolas que promovam o reconhecimento de ideias ludibriadoras, objetivando, com isso, assegurar que os cidadãos saibam distinguir as informações recebidas. Desse modo, assim como no quadro “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de resolução desse impasse.