Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/09/2020

O filósofo Jean-Paul Sartre considera que o desejo pela verdade manifesta-se como vontade de confiar nas coisas e nas pessoas, isto é, de acreditar que as coisas são exatamente como o indivíduo as percebe. É nesse viés que ocorre a ascensão das notícias falsas na era da informação, consistindo em distorções deliberadas da realidade com o objetivo de influenciar a opinião pública. Tal situação é corroborada, principalmente, pelo excesso de informações propagadas nas mídias virtuais, além da supressão da capacidade de duvidar e de criticar na sociedade contemporânea.

Em primeiro plano, o fluxo excessivo de informações no ambiente virtual influencia diretamente a problemática em questão. É sob esse prisma que o sociólogo Zygmunt Bauman, no livro ‘‘Modernidade Líquida’’, ressalta a dinamicidade e a fluidez do mundo contemporâneo, ocasionadas pela velocidade e pela quantidade de informações expostas aos indivíduos. Desse modo, é criado um ambiente propício para a propagação das Fake News, levando a um panorama no qual os fatos objetivos têm menor influência em relação aos apelos às emoções e às crenças pessoais, o que molda a opinião pública e as atitudes de terceiros. Exemplo disso foram as eleições norte-americanas de 2016, nas quais a difusão de notícias falsas influenciou diretamente o resultado nas urnas.

Ademais, é imperioso ressaltar a importância do ato de duvidar no processo de investigação da realidade. Acerca disso, o filósofo René Descartes propõe que a dúvida deve ser o primeiro passo em qualquer raciocínio que busque atingir a verdade, com o fito de eliminar a certeza sobre opiniões preconcebidas no intelecto do indivíduo. Dessa maneira, é lógico reconhecer que a disseminação de notícias falsas, que manipulam crenças e opiniões, surge diretamente do desvio do ensinamento de Descartes, pois grande parte das pessoas absorve informações sem antes duvidar delas, o que comprova também a teoria de Sartre. Sendo assim, evidencia-se a necessidade de alterar o cenário em questão.

Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da problemática em pauta. Logo, a fim de reduzir a quantidade de notícias falsas no meio virtual, urge que o Estado, mediante investimentos no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, promova a criação de órgãos fiscalizadores e especializados no combate a esse tipo de informação, punindo agentes virtuais que estimulam a manipulação de crenças e opiniões no âmbito informacional. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação estimular o ensino crítico aos jovens, mediante aulas e palestras de especialistas da área cibernética e de psicólogos que valorizem a opinião individual e a investigação acerca da realidade, a fim de pavimentar o caminho para uma sociedade crítica e responsável a respeito do intelecto humano.