Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 12/10/2020

Na mitologia grega, o semideus Hércules foi condenado a realizar doze difíceis trabalhos para Eristeu, rei da cidade de Micenas, como uma forma de ser perdoado pela morte de sua esposa e de seus filhos. Fora da ficção, tal narrativa traduz a necessidade real de se tomar duras medidas frente a grandes problemas contemporâneos. Dessa forma, faz-se necessário discutir os perigos das “Fake News”, as notícias falsas, na era da informação, sendo esta problemática agravada pelo compartilhamento facilitado de informações não verificadas e pela falta de mecanismos digitais de validação das notícias veiculadas nas redes sociais. Tal fato reflete uma realidade complexa e extremamente preocupante no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população brasileira.

Em primeiro plano, de acordo com a Teoria da Tábula Rasa, de John Locke, os seres humanos são moldados pela sociedade e seus costumes. Hodiernamente, tal conceito aplica-se aos brasileiros, que se veem integrados a uma realidade em que o compartilhamento de notícias nas redes sociais e aplicativos de mensagem torna-se cultural e cotidiano. Entretanto, a fluidez e a rapidez nesse repasse de informações facilita a divulgação de dados falsos, uma vez que alguns cuidados não são levados em consideração no ato da divulgação, como a confirmação da origem do material noticiado, por exemplo. Assim, a circulação informacional fica prejudicada, o que constitui um verdadeiro atentado conta o uso democrático da internet.

Outrossim, no poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, o eu lírico afirma possuir a chave para abrir uma porta, mas não encontra nenhuma porta. Fora da literatura, tal enredo assemelha-se ao cotidiano dos internautas brasileiros, que possuem a necessidade de validar as informações compartilhadas nas redes sociais, mas não encontram meios eficazes para tal. Destarte, a ausência de mecanismos de validação aumenta a adesão de agências de notícias falsas às mídias sociais, uma vez que representam meios de disseminação rápida de dados não monitorados. Portanto, os conteúdos manipulados circulam com agilidade, o que fere os direitos digitais previstos no Marco Civil da Internet.

Diante do exposto, para amenizar os perigos das “Fake News” na era da informação, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe às ONGs, em parceria com as mídias influenciadoras, elaborar projetos de cunho social e educacional, que sejam voltados aos internautas brasileiros, através de campanhas publicitárias que ensinem os procedimentos corretos a serem seguidos antes do compartilhamento de informações nos meios digitais. Sendo assim, tais medidas teriam por finalidade instigar o pensamento crítico e, assim, diminuir a divulgação de notícias adulteradas nas mídias virtuais. Somente assim será possível construir um futuro melhor e evitar-se-á que novos Hércules brasileiros sejam forjados.