Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 10/10/2020
O documentário “O Dilema das Redes” expõe o modo com que as redes sociais são programadas, através de algoritmos, para capturar a atenção dos usuários pelo maior tempo possível. Esses algoritmos são usados para levar aos internautas informações baseadas em suas próprias preferências. Logo, é possível perceber que existe um mercado responsável por promover essas informações e as fake news são do tipo mais lucrativo. Pois a maior parte delas possuem títulos atrativos e reproduzem alguma opinião já formada anteriormente pelo usuário, conseguindo assim mais um compartilhamento.
Um estudo recentemente divulgado por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), revelou que as notícias falsas são disseminadas seis vezes mais rápido do que as notícias verdadeiras e possuem 70% mais chance de serem divulgadas. No documentário, um dos ex-executivos entrevistados declara a seguinte máxima: “Criamos um sistema que privilegia as informações falsas, porque as informações falsas rendem mais dinheiro às empresas do que a verdade. A verdade é chata.” E, justamente por aquela notícia coincidir com suas ideologias, as pessoas acabam esquecendo de checar sua origem. Dessa maneira, contrariam o princípio cartesiano do filósofo francês René Descartes, caracterizado por nunca aceitar como verdadeiro algo de que seja possível duvidar, ou seja, buscar a verdade de maneira racional.
As consequências da difusão das fake news são diversas. Elas podem influenciar na escolha de um candidato à presidência, como aconteceu na eleição de 2016 nos Estados Unidos, no qual Donald Trump conquistou a vitória; podem gerar violência e até mesmo levar pessoas à morte como sucedeu no Brasil em 2014, onde após uma publicação no Facebook que alertava a população do Guarujá sobre uma suposta mulher que estaria sequestrando crianças e as utilizando em rituais de feitiçaria, uma mulher inocente foi linchada por dezenas de pessoas, não resistiu e faleceu. Ademais, podem se tornar caso de saúde pública, resultado das milhares de mentiras inventadas e propagadas durante a pandemia do novo coronavírus.
Assim sendo, é de suma importância que o Ministério da Tecnologia, Ciência e Inovações em parceria com o Governo Federal promovam campanhas de conscientização sobre os perigos das fake news e sobre a importância de investigar as fontes das informações lidas; para isso, devem divulgá-las nas redes sociais e em formato de propaganda na rede aberta de televisão. O Poder Judiciário, por sua vez, deve fiscalizar e punir, segundo a lei, os indivíduos que insistem em difundir mentiras e boatos através das mídias sociais. Consequentemente, uma sociedade com senso crítico, bem informada e cada vez mais segura será construída.