Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 10/10/2020

Ana Carolina, famosa cantora brasileira, em sua música “Notícias Populares” apresenta a influência das notícias na vida de um cidadão comum. Sob essa ótica, no que concerne a sociedade atual à música, tem-se que a constante proliferação das chamadas “fake news”, ou notícias falsas, representa um problema de ordem política e social, haja vista fatores como a manipulação das massas e o comportamento imediatista da população.

Diante disso, torna-se válido analisar as funções estratégicas desse tipo de informação. Nesse sentido, pode-se citar o episódio histórico da anunciação do Plano Cohen, em que militares relataram a toda comunidade brasileira sobre a descoberta de um projeto, atribuído pelo partido comunista, que tinha como finalidade a queda do governo de Getúlio Vargas e a instauração de um sistema comunista. Todavia, esse programa era falso tendo sido criado pelos próprios militares para justificar a permanência de Vargas no poder. No que tange a isso, é possível perceber como as “fake news” são usadas como estratégias de convencimento há anos, com efeito de induzir a não só uma manipulação comportamental, como também política e ideológica, uma vez que utiliza de artifícios, como manchetes sensacionalistas, que atraiam a atenção do alvo, seja por meio do medo ou da curiosidade.

De modo complementar, é imperativo que a postura do corpo social perante a esse tipo de notícia auxilia em sua proliferação. Nesse âmbito, a Alegoria da Caverna de Platão pode ser aplicada, de forma análoga, sobre a questão, haja vista que o sujeito moderno comporta-se como os prisioneiros da história, dado que esses, ao enxergarem o mundo somente pela sombras da parede, acreditavam que tudo o que viam era real. Sob esse prisma, com a invenção da internet a propagação das “fake news” se tornou ainda maior, tendo em conta a facilidade oferecida pelas redes sociais e a ausência de uma educação digital. Por conseguinte, a sociedade não se preocupa, em meio a tantas notícias na rede, a verificar a veracidade daquele fato que lhe foi passado e, assim como os prisioneiros, é levada a acreditar que o que está vendo é real.

Em síntese, faz-se necessária a adoção de medidas que atuem na problemática. Para tal, cabe ao Ministério da Educação (MEC) instaurar aulas de educação digital gratuitas e abertas à comunidade, com objetivo de despertar o senso crítico dos alunos ao se depararem com qualquer informação no cotidiano. Ademais o MEC, deve ainda, em parceria com as mídias sociais e televisivas, promover campanhas que orientem e conscientizem a sociedade sobre os mecanismos para identificação de informações errôneas. Logo será possível minimizar a proliferação de notícias falsas e não deixá-las “voarem pelos ares” como disse Ana Carolina.