Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 30/10/2020

Em 1937 a divulgação de um falso plano comunista para tomar o poder no país, o Plano Cohen, causou pânico na população e legitimou a implantação da ditadura do Estado Novo. Hoje, como o maior alcance informacional, proporcionado principalmente pelo surgimento das redes sociais, a disseminação de “fakes news” ganhou ainda mais força, tornando-se um perigo na sociedade moderna, com potencial para incitar ações violentas e ameaçar a democracia.

Primeiramente, é importante analisar como as notícias falsas podem incentivar a violência. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, a agressividade tornou-se banal, parte do cotidiano, na sociedade contemporânea, não merecendo uma reflexão mais profunda. Sob tal ótica, a maior exposição atual a “fake news” a partir das redes sociais, pode instigar ações hostis dentro do corpo social, devido ao seu menor apelo crítico e a normalização de tais comportamentos. Fato esse, que pode ser verificado em 2014, na cidade do Guarujá em São Paulo, onde uma mulher foi espancada e morta por pessoas da sua comunidade, devido boatos expostos em uma página do Facebook, sobre uma suposta sequestradora de crianças.

Outrossim, informações mentirosas podem difundir crenças e ameaçar a manutenção da democracia. Para o filósofo Michael Foucault, o discurso é resultado da realidade vivida e tem o poder de moldar o sujeito. Sob esse panorama, as notícias falsas abrem caminho para a formação de opiniões precipitadas, uma vez que são transmitidas seis vezes mais rápidas que as verdadeiras, segundo o documentário “o dilema da redes” da Netflix. Dessa forma, a população torna-se muito mais suscetível a acreditar em planos falsos, como o Plano Cohen em 1937, devido ao compartilhamento mais frequente de informações manipuladas, colocando em risco regimes democráticos.

Fica evidente, portanto, o perigo da disseminação de “fake news” na atualidade. Para tanto, a fim de seu combate, urge que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, invista por meio de verbas públicas, em campanhas que instiguem o senso crítico, incentivando a checagem da veracidade das informações recebidas antes do seu compartilhamento. Neste contexto, o Ministério da Justiça, deve buscar por intermédio de uma legislação mais rígida, incentivar a participação das grandes empresas responsáveis pelas redes, localizando e apagando tais notícias antes de sua ampla divulgação. Para que assim, a população crítica não compactue com ações violentas motivadas por boatos e possa exercer a democracia de forma consciente.