Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 17/11/2020

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois esse seria livre e responsável.  Entretanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão da alta disseminação de Fake News na era da informação.  Dessa forma, observa-se que a problemática reflete um cenário desafiador, seja em virtude da falta de denúncia, seja pelo silenciamento midiático.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução a falta de denúncia.  Nessa lógica, o imperativo categórico, de Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal.  No entanto, no que tange à questão dos perigos das Fake News nessa nova era, há uma lacuna no dever moral quanto ao exercício da denúncia, uma vez que as poucas pessoas que descobrem quem produz esse tipo de notícia falsa não tomam a devida providência de denunciar, o que contribui para o aumento da propagação em grande escala das Fake News, pois, as pessoas que criam notícias como essas não estão sendo devidamente punidas e não estão arcando com nenhum tipo de consequência, levando esses indivíduos a agir sem medo algum.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o silenciamento midiático.  De acordo com a pesquisa feita pela empresa Kaspersky, cerca de 62% dos brasileiros não conseguem reconhecer uma notícia falsa.  Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a questão, divulgando a importância de desconfiar e investigar a fonte da notícia para o não compartilhamento de panoramas falsos, influencia na consolidação do problema, não mostrando o devido cuidado que deve ser tomado e as consequências que a divulgação de uma notícia falsa pode acarretar na vida profissional, particular e na moral de um cidadão, por esses e outros motivos torna-se fundamental todo tipo de verificação antes de passar alguma informação adiante.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário de silenciamento e de falta de denúncia.  Para que isso ocorra, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Justiça, deve desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas em detectar notícias falsas.  Nesse contexto, tais palestras devem ser transmitidas nas redes sociais dos Ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre os perigos das Fake News e atingir um público maior.  Desse modo, poder-se-á criar um ideal de nação de que Sartre pudesse se orgulhar.