Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 19/11/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os indivíduos o direito à liberdade de expressão. No entanto, na conjuntura contemporânea, ao se analisar o cenário virtual, percebe-se que esse preceito é extrapolado na prática, em decorrência da difusão de Fake News, fruto da livre manifestação de informação e opinião no meio social. Nesse contexto, urge analisar como a falta de uma educação digital e a negligência estatal impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a disseminação de Fake News está intrinsecamente relacionada à carência de políticas públicas educacionais direcionadas ao ambiente virtual. Segundo uma pesquisa divulgada pela Kaspersky , empresa global de cibersegurança, 62% dos brasileiros não sabem reconhecer notícias falsas. Nesse viés, a falta de uma educação digital nas instituições escolares contribui para a proliferação de assuntos distorcidos , haja vista que o ensino tradicionalista visa apenas preparar os discentes para vestibulares. Diante disso, uma parcela da sociedade com limitado senso crítico fica suscetível a obter informações falsas e transmiti-las como se fossem verdades. Por conseguinte, a falta de instrução viabiliza o restrito acesso a informações verídicas.
Outrossim, vale salientar que a inércia do Estado corrobora para a perpetuação de notícias falsas no campo social .De acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, as Fake News se espalham 70% mais rápido que notícias verdadeiras. Nessa perspectiva, a ausência de uma lei específica na Magna Carta reprimir indivíduos que difundirem informações inverídicas propicia a manutenção dessa conjuntura . Tal panorama aliado à ascensão da internet e redes sociais favorece a ativa proliferação de conteúdos errôneos, à medida que por não terem normas os cidadãos consomem e propagam notícias sem averiguar a procedência. Desse modo, a mínima iniciativa governamental em combater esse quadro torna o ambiente cibernético favorável a disseminação de mentiras.
Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas para minimizar a difusão de Fake News na esfera social. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão do Estado responsável pela formação civil - incluir na grade comum curricular a disciplina Educação Digital ,desde as séries inicias, a qual instrua os discentes a utilizarem as ferramentas digitais de forma segura. Isso deve ser feito por meio de profissionais capacitados na área, como programadores de sistema, com o fito de proporcionar aos sujeitos sociais um espaço democrático e inviolável. A partir disso, espera-se promover a construção de um Brasil melhor e livre de informações falsas.