Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 22/11/2020

A Revolução Técnico Científica introduzida por Steve Jobs, nos anos 90, fez com que a Revolução Industrial chegasse a um novo patamar: a era da informação. Embora a atualidade superinformada, em períodos cada vez menores de tempo, pareça um avanço dos veículos de comunicação, o crescimento das Fake News evidencia o perigo de um jornalismo falso e sem regulação. Dessa forma, o alto alcance dessas notícias e a impunidade daqueles que as produzem contribuem para a desinformação da população além de gerar ódio, polarização e medo nos nichos sociais que tais notícias são focadas.

Em primeiro plano, é preciso destacar que as Fake News são criadas no intuito de atender a um objetivo específico, o qual não é o assunto de destaque da matéria, mas sim a consequência do impacto que ela causará. De acordo com Nicolau Maquiavel, em “O Príncipe”, uma das obras mais importantes do século XVI,  “os fins justificam os meios”. Ainda que essa frase não tenha sido de fato expressa por Maquiavel, pode-se observar a íntima relação das Fake News com este princípio. Ao se criar uma notícia falsa, seu objetivo final, seja ele difamar alguém ou uma ideia, quanto mais absurdas forem as informações divulgadas, mais alcance a notícia terá. Assim, o objetivo da Fake New é atingido quando o leitor não só acredita na mensagem, como é influenciado intelectualmente por ela e propaga esse discurso calunioso, gerando uma rede de pessoas fiéis à tais inverdades.

Ademais, a impunidade dos criadores das Fake News corrobora para sua permanência nas redes, mesmo com o conhecimento público desse tipo de notícia e seus malefícios à sociedade. Porém, um dos motivos dessa impunidade é a dificuldade em identificar seus verdadeiros responsáveis, porque depois que a notícia é divulgada quem a publicou de início se torna insignificante em relação ao  seu impacto nos leitores. Além disso, a plataforma digital que será usada, Twitter, Whats App ou Facebook, por exemplo, também dita seu formato e, em consequência, a relevância de seus criadores. Em 2017, o programa “Greg News”, da HBO, apresentou dados mostrando que o site especializado em Fake News, o “Jornal da Cidade”, usou imagens adultaradas e nomes falsos de jornalistas para referênciar suas reportagens, dificultando a investigação das denúncias ao site.

Em suma, é notável o perigo das Fake News na formação da opinião pública. Portanto é preciso que o Estado, por meio da Secretaria de Comunicação do Governo Federal, apoie diretamente veículos de combate às Fake News já existentes. Esse apoio deve ser feito com investimento para o aumento da equipe de profissionais que verificam e denúnciam Fake News nesses veículos, para um combate tão rápido quanto a divulgação da notícia falsa. Além do que, também se faz necessário campanhas nacionais de educação digital para a população, incentivando checagens de notícias como um hábito.