Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 11/12/2020

No livro “Brasil, país do futuro”, escrito por Stefan Zweig, o autor aponta para a idealização de uma nação progressista em diversos âmbitos. Judeu e Austríaco, o historiógrafo fugiu de seu país natal sob ameaça nazista de Adolf Hitler, e encontrou refúgio no território canarinho, onde, segundo ele, seria uma terra próspera para a ruptura de hábitos maléficos ao corpo social. Entretanto, verifica-se que a questão das “fake news” são bem atuantes no Brasil, apresentando-se antagonicamente ao ideário exposto por Stefan. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e ao descaso social.

Em primeiro plano, a Carta Magna de 1988, prevê, como garantia fundamental, o combate à propagação de notícias falsas que, por consequência, espalham ideias erráticas, prejudicam terceiros e atuam contra o bem-estar da coletividade. Todavia, o próprio Poder Estatal, por falta de políticas públicas, fere a legislação. Consoante a isso, o Ministério da Cidadania não promove uma consientização social acerca das consequências das “fake news”, bem como campanhas informacionais sobre como deve ocorrer a identificação dessas notícias. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal.

Cabe mencionar, em segundo plano, que a problemática encontra terra fértil no descaso social. O filme “Rede do ódio” ilustra bem isso. Na ficção, o protagonista espalha diversas notícias falsas sobre a empresa concorrente nas redes sociais, tendo como objetivo ganhar maior notoriedade em seu emprego. Além disso, o filme retrata uma questão sociológica ao salientar o peso do descaso social nesse processo, que abraça pensamentos simplistas e alimenta esse sistema tão prejudicial. Diante disso, com a falha nesse sistema, a sociedade torna-se vulnerável a mais problemas, o que prejudica a harmonia social e a plena vivência da cidadania.

Isto posto, é inegável a necessidade de intervenção no que tange à problemática. Para tanto, o Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, deve levar as palestras educacionais pelo Brasil, alertando sobre os malefícios da propagação de “fake news”, além do quão impactante isso é à era da informação, de modo que ocorra a massificação do termo na sociedade, por intermédio de propagandas acerca do tema. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em níveis mundiais, “lives” sobre o tema, as quais deverãp ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados, tendo como finalidade promover uma conscientização social e uma diminuição no número de casos. Dessa forma, a ideia de Zweig deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.