Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 12/12/2020

A Constituição Federal, maior ordenamento jurídico brasileiro, assegura o acesso ao conhecimento fidedigno por parte dos cidadãos. Contudo, essa possibilidade é dificultada pelos números de notícias falsas persistente nos meios de comunicação, que impossibilitam a formulação de senso crítico e afetam diversos setores. Dentre eles, a política, a qual causa uma polarização e fomenta o discurso de ódio, e a saúde, que cria mentiras sobre vacinas e tratamentos. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar que, de acordo com a historiografia, os falsos informes existem desde a Idade Média e se intensificaram, hodiernamente, com apogeu da internet, possibilitado pela Revolução Técnico – Científico - Informacional. Desse modo, acontecimentos como esses influenciam diretamente cenário político, uma vez que manipula opinião pública, criando notícias ilusórias, e estimula o lixamento moral aos opositores e o discurso de ódio contra apoiadores, tornando a corrida eleitoral em um verdadeiro confronto de mentiras e impedindo a formação de senso crítico, assim como fez o Plano Cohen, de Getúlio Vargas em 1937. Segundo jornal Estadão, em 2016, surgiu uma matéria que o Papa Francisco apoiaria a candidatura de políticos norte-americanos e, com ela, acusações e difamações aos adversários, evidenciando o quão grave é a problemática.

Outrossim, é conveniente ressaltar também como os informes ilusórios interferem no âmbito da saúde. Consoante Michael Foucault “Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informações”, em vista disso, a população cega-se com o bombardeio de conteúdos inverídicos, pois acreditam que vacinas e tratamentos causam enfermidades maiores, como autismo, o que leva a impactos negativos nas campanhas de imunização, e a não aderirem ao processo de vacinação e viverem na escuridão das ideias, como defende Platão em sua Alegoria da Caverna. Conforme o G1, quando Brasil enfrentou o maior surto de febre amarela, a desinformação foi tanta, que a comunidade passou a acreditar que a vacina causaria autismo e meningite e não foi tomá-la, mostrando que quando a falta de informação é regra, a saúde e bem-estar são exceções.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, a criação de uma disciplina na Base Comum Curricular que, por meio de oficinas e debates, aborde sobre as tecnologias e as “Fake News”, com o fito de instruir como averiguar notícias e evitar serem vítimas desses atos, a fim também de fornecer as pessoas o conhecimento verdadeiro, como afirma René Descartes em seu método Cartesiano. E só assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir o impacto das “Fake News” e fazer valer a Carta Magna de 1988.