Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/12/2020

Na obra “Utopia”, o escritor Thomas More retrata uma sociedade livre de conflitos e problemas, ou seja, perfeita. De maneira análoga é possível observar que a sociedade contemporânea encontra-se muito distante daquilo que More descreve em sua obra uma vez que problemas como a falta de responsabilidade na transmissão de informações, gerando as “Fake News”, trazem prejuízos às relações sociais na forma de conflitos e transtornos. A circulação de “Fake News” apresenta perigos à sociedade a medida que pode incitar a busca por justiça com as próprias mãos além de difamar e prejudicar a imagem de um indivíduo ou instituição.

Primeiramente, vale ressaltar que a circulação de “Fake News” deriva da falta de compromisso com a verdade tanto de quem as cria quanto de quem as veicula. Não é atoa que é responsabilidade do Poder Judiciário julgar e condenar alguém por seus atos e isso é feito após uma minuciosa averiguação e investigação dos fatos, diferente do que ocorre quando a população decide fazer esse papel baseando-se apenas em boatos como ocorreu em 2014 na cidade do Guarujá quando uma dona de casa foi linchada e morta pela população local movida por uma comoção gerada por uma “Fake News”.

Ademais, a circulação de notícias falsas pode trazer prejuízos à imagem de alguém ou alguma instituição através da difamação e, neste caso, é cabível a responsabilização criminal. O problema é ainda mais serio quando há a difamação errônea de figuras políticas fato que, interfere no direito de escolha da população sendo assim um obstáculo ao pleno exercício da democracia e também quando envolve instituições como industrias em geral e comércios pois pode levar ao boicote dos mesmos por parte da população e assim prejudicar diversos trabalhadores. Diante disso, observa-se que as “Fake News” geram problemas de grande abrangência  podendo levar malefícios a muitos setores da sociedade e sua contínua circulação age retardando a solução desse quadro.

Em suma, medidas eficientes se fazem necessárias para barrar o agravamento do problema em questão. É necessário que a mídia, como principal transmissora de informações, através de seus veículos de informação, apresente-as de forma a conter evidencias claras de veracidade como fonte, local, data e declaração de autoria para que a população possa identificar claramente a autenticidade de uma informação. Cabe também ao Tribunal de Justiça, através de recursos destinados à investigações de autores de “Fake News”, aplique punições mais severas a fim de que as pessoas tenham mais cuidado e atenção ao divulgar e repassar qualquer fato. Dessa maneira, a sociedade poderá dar um passo em direção a sociedade utópica de More.