Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 12/01/2021
O Realismo, movimento literário brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que os perigos das Fake News persistem atrelados à realidade do país, seja pela alienação que elas proporcionam, seja pelas consequências que tais boatos podem trazer. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito de modo a assegurar a veracidade e a integridade das informações.
A princípio, vale destacar que a propagação de notícias falsa com o intuito de manipular a população não é recente na história. Em 1917, apoiadores de Getúlio Vargas forjaram um documento, O Plano Cohen, que foi atribuído como uma ameaça comunista e serviu de justificativa para a instauração do Estado Novo. Contudo, com o advento dos meios de comunicação, a dispersão de notícias falsas se tornou uma ferramenta de desinformação e sensacionalismo, ainda mais perigosa, e responsável por alastrar o pânico na população. Além disso, a alienação proveniente das fake news, associada a falta de pensamento crítico, vulnerabiliza as pessoas e as torna suscetível a confiarem em tudo, por conseguinte, descredibiliza as reais fontes de verdade. Todavia, apesar dos avanços já realizados no campo da cyber segurança, o compartilhamento de informações duvidosas, pelos próprios usuários, ainda é a principal forma de disseminação destas calunias.
Ademais, é imprescindível salientar que com o avanço do processo de globalização e da democratização da internet, as fake news tomaram proporções inimagináveis, e suas consequências se tornaram uma questão social. É perceptível, como o fato destas informações faltarem com a verdade influência, diretamente, em questões políticas e internacionais, como foi o caso das eleições americanas. Em 2016, apoiadores do presidente Donald Trump espalharam boatos e inverdades sobre sua opositora Hillary Clinton, o que contribuiu para que ele fosse eleito, à custa da reputação da ex-senadora. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de se combater este fenômeno que se tornou uma epidemia do mundo moderno.
Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o governo federal, promover, por meio da elaboração de campanhas nas redes sociais e da criação de cartilhas que ensinem como a população pode verificar a veracidade de uma notícia, uma conscientização coletiva a respeito de se compartilhar somente de fontes seguras. Além do mais, faz-se necessário que o Ministério Público, em conjunto com as principais redes sociais, mantenha uma fiscalização mais rígida do conteúdo que circula nesses meios, assim, com o propósito de solucionar tal problemática.