Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 23/01/2021
O termo pós-verdade, eleito palavra do ano pelo Dicionário Oxford em 2016, denomina o descaso e a indiferença com a veracidade dos fatos. Desse modo, destaca-se que a desinformação ou “fake news” é uma característica da contemporaneidade, catalisada pela capacidade de difusão das redes sociais. Nesse contexto, as notícias falsas representam riscos para os indivíduos, que podem ser alvos de calúnias e difamações, e para a coletividade, que é prejudicada por mentiras que sabotam o bem-estar da comunidade.
Inicialmente, menciona-se que inverdades propugnadas pelas redes sociais podem arruinar carreiras, reputações e até mesmo comprometer a integridade física das vítimas de ataques caluniosos. Nesse sentido, cita-se o caso da página no Facebook intitulada Guarujá Alerta, que em 2014 divulgou um retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças, fato que levou à morte de uma mulher inocente, confundida pela população como a autora dos crimes. Dessa forma, notícias falsas podem incitar o ódio e a violência, impulsionando o desejo de fazer justiça pelas próprias mãos.
Adicionalmente, cabe ressaltar a nocividade da desinformação à sociedade, principalmente no contexto da saúde pública. Nesse viés, salienta-se o movimento anti-vacina, que espalha informações inverídicas que minam a confiança da população na imunização coletiva e é responsável pelo retorno de doenças já erradicadas, como o sarampo no Brasil. Nesse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a resistência à vacinação como uma das dez maiores ameaças à saúde global. Portanto, percebe-se como as “fake news” são deletérias para o coletivo ao apoiar ideias sem fundamentação teórica em detrimento de consensos científicos.
Diante do exposto, nota-se a importância de combater a desinformação. Dessa maneira, faz-se mister medidas destinadas a aumentar o senso crítico da população. Assim, é imperativo que o Ministério da Educação insira na grade curricular disciplinas com o objetivo de melhorar o entendimento dos jovens sobre a diferença entre fatos e opiniões e sobre a relevância da checagem das fontes. Além disso, como medida a curto prazo, a mídia deve apontar a necessidade de não compartilhar notícias de cunho duvidoso e de se basear apenas em veículos tradicionais como jornais e televisão como fonte de informação. Destarte, solidificar-se-à a confiança na ciência e nas instituições, bem como formar-se-à cidadãos mais bem informados e com senso reflexivo.