Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 18/05/2021
Durante o período do Brasil Colônia, embora a Inquisição não representasse grande poder em terras tupiniquins, sua presença serviu de meio para vingança pessoal: pessoas denunciavam seus desafetos que, mesmo sem indícios de heresia e muitas vezes inocentes, eram presos e executados, conforme é contado no livro História Geral do Brasil. As informações falsas para benefício próprio estão presentes há muito tempo na sociedade brasileira como evidencia o fato. No entanto, com o desenvolvimento das tecnologias informacionais, as ‘‘Fake News’’ disseminam-se e influenciam milhões de pessoas mudando, assim, o curso da história e das vidas humanas. Nesse contexto, a ausência de uma visão crítica dos indivíduos permite que elas sejam utilizadas como um mecanismo de manipulação, o que prejudica todo o corpo social.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a falta de criticismo da população. Isso porque o sistema educacional brasileiro, ao ser pautado somente na internalização dos conteúdos sem o questionamento acerca desses, não desenvolve o pensamento crítico dos estudantes, potenciais agentes da mudança social. Dessa maneira, os cidadãos permanecem na ‘‘Menoridade do indivíduo’’, conforme o filósofo Immanuel Kant, caracterizada pela falta de autonomia do pensamento - ou seja, mais suscetíveis a acreditar em notícias sem duvidar de sua veracidade.
Consequentemente, as Fake News manifestam-se como instrumento de manipulação. Isso ocorre pois a opinião do indivíduo é moldada de acordo com seu conhecimento acerca do mundo. Dessa forma, as informações inverídicas constituem-se num meio de direcionar a ação da sociedade, o que se tornou evidente pela ampla disseminação de desinformação durante a eleição de 2018 no Brasil. Tal conjuntura tolhe o fim do cidadão, isto é, a busca pelo bem comum, à guisa de Aristóteles, na medida em que, a partir de uma visão deturpada da realidade, não é possível chegar a conclusões corretas sobre o que é melhor para a comunidade.
Depreende-se, portanto, que um olhar mais crítico da população é necessário, visto que é por meio da ausência desse que as fake news configuram-se num mecanismo de controle. Nesse sentido, as escolas devem criar rodas de debate a fim de discutir sobre obras cinematográficas e literárias -de modo lúdico e interessante - com o intuito de desenvolver o senso crítico dos estudantes. Para que, assim, os brasileiros saiam de sua menoridade intelectual e não permitam que informações falsas deturpem seu caráter cidadão.