Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 16/07/2021
Plano Cohen foi o nome dado a uma estratégia, cujo intuito era instaurar o comunismo no Brasil. Na realidade, essa tentativa nunca ocorreu, tampouco o plano existiu, tratando-se, apenas, de uma mentira utilizada pelos autores do golpe militar, de modo a instituí-lo no Brasil. Logo, evidenciam-se os potenciais perigos gerados a partir da divulgação de notícias falsas e destaca-se o papel da mídia em sua ocorrência, bem como a troca optativa dos veículos de comunicação tradicionais para os mais vulgares.
Inicialmente, o descrédito dado aos jornalistas e à veracidade dos fatos propagados pelos meios de comunicação tradicionais – televisão, rádio e jornal – é consequência de atos manipulativos delas próprias. Analogamente, o documentário produzido pela emissora palestina Al Jazzera, a respeito da manipulação provinda da Rede Globo, dá indícios de que a perda de confiança dos espectadores derive da decisão de transmitir apenas aquilo que a convém. Um exemplo é o debate entre os candidatos a presidência no ano de 1989, em que o diretor-geral da Globo admite ter dado significativas vantagens ao candidato que mais lhe favorecia. Dessa forma, entende-se a raiz da crescente desconfiança associada às emissoras de televisão, aos programas de rádio e aos jornais renomados.
Além disso, outro motivo para que a população esteja mais adepta a crer em notícias enganosas é a nova era das redes sociais ao assumirem um papel jornalístico forjado. Paralelamente, está em andamento a CPI das Fake News, que visa investigar a ampla disseminação de notícias falsas e como estas teriam influenciado, por exemplo, a eleição do presidente Jair Bolsonaro. Diversas empresas estariam envolvidas com esse objetivo via redes sociais com alvos específicos, relacionando, a partir dos algoritmos, os usuários com maior possibilidade de aceitar aquelas mentiras. Entretanto, crimes cibernéticos ainda possuem muitos empecilhos para serem solucionados, assim, além da busca por justiça decorrente dessas contravenções, deve-se previnir o povo de ser alvo dessa manipulação.
Finalmente, o Ministério Público deve promover campanhas de nível nacional, com outdoors e propagandas televisivas e digitais, a fim de atenuar os efeitos da ampla veiculação de notícias manipulativas. Ao ensinar e conscientizar a respeito da necessidade de conferir a fonte de um fato divulgado – e a importância de fazê-lo antes de passar adiante -, de modo simples e direto, objetiva-se alcançar a todos os públicos. Ademais, indicar locais de verificação, como, por exemplo, o site do G1, que se propõe a fazer tais conferências facilita a aderência pública à campanha. Desse modo, o Brasil estará precavido diante de situações manipulativas, evitando acontecimentos como o golpe militar e reservando à sua população o direito da liberdade intelectual.