Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 17/07/2021

Os sofistas, denominados sábios na Grécia Antiga, foram constantemente criticados por Sócrates, pois utilizavam da capacidade de manipulação pelo discurso para defenderem ideias de forma convincente, sem que acreditassem nelas fielmente, de forma a convencer os cidadãos da Ágora de Atenas de que aquilo que afirmam é a verdade absoluta. Analogamente, o atual contexto de democratização do acesso e disseminação de informações no âmbito digital também apresenta indivíduos de caráter sofista, que utilizam de elementos convincentes para propagar notícias falsas entre usuários particularmente inocentes. Nessa perspectiva, oferecendo enfoque à situação brasileira, é imprescindível analisar a organização da indústria das “fake News”, assim como o cenário favorável à sua propagação e os riscos que tal mercado oferece aos seus consumidores.

Em primeiro plano, a ingenuidade de certa parcela populacional, ainda não adaptada à nova dinâmica informacional, contribuiu para a intensificação da disseminação de notícias falsas no Brasil. Assim, conforme afirmado pela filósofa alemã Hannah Arendt, em seu livro “As Origens do Totalitarismo”, indivíduos ignorantes são mais facilmente influenciados pelos mecanismos indutores de comportamento presentes nos meios de comunicação. Dessa forma, o analfabetismo digital ainda presente entre cidadão mais velhos, que obtiveram uma educação mais precária e menos “digitalizada”, os torna suscetíveis aos artifícios manipuladores presentes nas “fake News”, que pode enganá-los e induzi-los a tomarem ações equivocadas e que os prejudiquem. Nesse contexto, usuários mal-intencionados utilizam da facilidade de publicar informações falsas, e o ambiente favorável para sua proliferação, assim como elementos chamativos e desencadeadores de indignações, para obtenção de lucro. Dessa maneira, o escritor francês Guy Debord, ao analisar a indústria publicitária anteriormente ao advento da internet, afirma que propagandas são mais facilmente disseminadas quando instigam sentimentos fortes nos interlocutores, de forma a intensificar o consumo dessas mídias e seu compartilhamento. Sob essa ótica, observa-se que tal prática permanece vigente, já que as “fake News” apresentam claro cunho sensacionalista, como objetivo de engajar o leitor despretensioso mais facilmente e induzi-lo a intensificar seu consumo e compartilhar a mídia lida, fortalecendo a indústria de noticias falsas.

Infere-se, portanto, que é crucial a educação digital da população mais velha, com o objetivo de enfraquecer o mercado das informações falsas. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania a elaboração de um curso gratuito no próprio site do Governo Federal, que deverá ser simples e de fácil acesso, que ensinará de forma continua, com a publicação semanal de novas aulas, qual o processo ideal para a verificação da veracidade de uma notícia, assim como ressaltar como indivíduos pretenciosos utilizam da comunicação para disseminação de mentiras. Tal curso deverá ser propagandeado nos meios de comunicação de massa, para conquistar máximo público, com o objetivo de tornar a população mais consciente em relação Às “fake New ‘. Só assim, será possível enfraquecer os sofistas modernos, assim como aqueles prejudicados por esses.