Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 01/08/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na era da informação vigente é o oposto do que o autor prega, uma vez que os perigos das fake news (notícias falsas) representam barreiras, as quais dificultam os planos de More. Por isso, faz-se mister a análise dos fatores favorecedores desse alarmante quadro, com foco na ausência de políticas públicas de combate eficazes e na liquidez societal.

Seguindo esse contexto, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais de efeito para combater a disseminação das fake news. Desse modo, as notícias falsas, criadas por empresas com fins políticos, econômicos ou sociais, passam a representar um novo “negócio”, uma vez que o Estado, ainda despreparado para evitar as fake news, facilita o crescimento dessa categoria de mercado. Dessarte, o corpo social torna-se “refém” das fake news, o que, de certa forma, compromete a autonomia de pensamento e o bom exercício da democracia, visto que as pessoas passam se posicionar de modo tendencioso, tendo como princípios o que leem e acreditam – sendo verídico, ou não. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever que garantir aos indivíduos que desfrutem de direitos indispensáveis, como a segurança, o que, infelizmente, é notório no país.

Ademais, a liquidez societal, presente na contemporaneidade, atua como impulsionadora dessa problemática. Nesse viés, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na “Modernidade Líquida” vigente, a falta de solidez nas relações políticas, econômicas e sociais facilita a manipulação. Dessa forma, a liquidez societal em questão, existente no Brasil, faz com que os indivíduos, ao se depararem com as fake news, passem a crer que o que leem é real e, muitas vezes, sem checar a veracidade dos fatos em outras fontes, compartilhem com familiares e com amigos. O que ocorre, então, é a propagação dessas notícias como um vírus, que contamina a mentalidade dos brasileiros, comprometendo a democracia. Logo, é inadmissível que essa realidade “epidêmica” perdure.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses entraves. Para isso, é fundamental que o Executivo, por meio do capital arrecadado pela Receita e de um consórcio de imprensa, desenvolva um mecanismo on-line de checagem de notícias, onde os cidadãos possam verificar, de modo rápido e simplório, se notícias têm fundamento ou são falsas, o que deve afetar o crescimento do mercado ilegal de artigos falsos ou incompletos, facilitando a informação. Assim, será consolidada uma sociedade mais segura, aproximando-se dos planos de Thomas More.