Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 19/08/2021
A crescente disseminação de notícias falsas no Brasil cerceia o pensamento de que este país deliberadamente é antagônico por causa de suas raízes formadoras, como refletiu o psicanalista Roberto Gambini, na obra “Outros Quinhentos”. Essa mesma assertiva é análoga ao personagem Macunaíma – de Mário de Andrade –, ao representar a metáfora de um brasileiro sem natureza definida. Nesse viés e com base no presente, questões estruturais da sociedade, como a manipulação de pessoas aliada à facilidade da divulgação de informações na internet, ainda são tratadas sem visibilidade. É nesse cenário, então, que se delineia a discussão sobre as fake news no Brasil.
Certamente, as notícias falsas ilustram o pensamento de Roberto Gambini, pois a falta de identidade social torna-se latente diante do controle e manipulação do cidadão. Nessa perspectiva, irrefutavelmente, o uso de fake news é altamente prejudicial, já que cria um ambiente polarizado e, consequentemente, uma situação de conflito. Nesse sentido, pode-se dizer que o Brasil foi cenário das fake news durante o impeachment de Dilma Rousseff e durante às eleições do atual presidente Jair Bolsonaro. A circulação dessas notícias mostrou, então, o impacto dos meios de comunicação sobre as pessoas, relatado por Guy Debord, em “A Sociedade do Espetáculo”. Nesse contexto, concede-se razão a Gambini, visto que o Brasil permanece colonizado no início da história daqueles quinhentos anos.
Já no que concerne à tecnologia, o impacto é maior devido à abrangência da disseminação das fake news. Nessa situação, as redes sociais são a fórmula do desastre. Isso é comprovado pelo impacto massivo que o vazamento de dados pelo Facebook tiveram na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. O documentário “O Dilema das Redes” revela que as redes sociais têm papel crucial na manipulação do cidadão e que estas podem ser usadas para a divulgação de notícias falsas. Dito isso, a divulgação de notícias falsas colabora com a desinformação, ampliando o negacionismo à ciência e teorias científicas já comprovadas. Deve-se garantir, então, que não sejam necessários “outros quinhentos anos” para que o brasileiro tenha acesso à informações confiáveis.
Portanto, é preciso uma intervenção que minimize os efeitos das fake news. É imprescindível a criação de uma plataforma virtual de fácil acesso ao cidadão, financiada pelo Ministério da Tecnologia, com o intuito de expor as notícias falsas mais divulgadas nas redes. Essas ações devem ser tomadas com o objetivo de minimizar os efeitos dessas notícias. Além disso, essa plataforma deve impulsionar uma campanha nas redes sociais populares, de modo a favorecer a informação sobre os principais pontos de identificação de uma notícia falsa. Dessa forma, o Brasil se distanciará da personalidade de “herói sem caráter” de Macunaíma, quebrando paradigmas e alcançando a isonomia social.