Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 17/08/2021
Com o advento da Revolução Técnico-Científica-Informacional no final do século XX, o amplo acesso às redes digitas possibilitou a difusão instantânea de informações e a quebra de barreiras no âmbito da comunicação. No entanto, é inegável que essa ferramenta tão poderosa teve o seu propósito deturpado, uma vez que os seus usuários estão cada vez mais expostos à desinformação e às notícias falsas. Esse cenário preocupante tem implicações diretas na saúde pública e no regime democrático e, por isso, deve ser discutido e combatido com seriedade.
Nesse contexto, o filósofo francês Jean-François Lyotard aponta, como característica da modernidade, o fim das metanarrativas. Isto é, as verdades totalizantes da história – como o discurso científico – passaram a ser questionadas. Esse fenômeno se agravou ainda mais com o surgimento das “fake news”, que são notícias falsas com viés apelativo que possuem o objetivo de gerar a comoção do leitor, estimulando o compartilhamento em larga escala e a formação de uma rede de desinformação. Indubitavelmente, essa prática provocou consequências catastróficas na sociedade brasileira, sobretudo no quadro da saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, novos surtos de sarampo voltaram a assolar o território nacional devido à propagação criminosa de notícias falsas acerca da efetividade da vacinação, o que provocou a reemergência de uma doença já erradicada.
Além disso, é notável o impacto da disseminação de tais informações na manutenção da democracia no cenário mundial. A ascensão da política pós-verdadeira, ou seja, aquela em que se desvaloriza a verdade e há predomínio da desinformação e do sensacionalismo, possibilitou a chegada de lideranças políticas que beneficiaram-se da propagação de afirmações mentirosas na corrida eleitoral. Nesse sentido, a rede social “Facebook” reconheceu que até 126 milhões de seus usuários foram expostos a publicações de conteúdo falso, que foram financiadas por grandes empresas para favorecer a chegada de Donald Trump ao poder em detrimento de Hillary Clinton. Com isso, nota-se a problemática das notícias falsas como ameaça ao sistema eleitoral e democrático.
Portanto, tendo em vista essas questões, é preciso que o Ministério da Educação promova a educação midiática, a fim de orientar os indivíduos mais jovens – por serem os principais usuários das redes sociais – a respeito do combate às “fake news”. Com a inserção desse conteúdo no currículo escolar, os alunos serão capazes de identificar e evitar a propagação da desinformação no meio digital. É imprescindível, também, que as escolas reforcem o conhecimento científico entre os jovens, de maneira que eles possam suprimir o questionamento das metanarrativas citadas por Lyotard. Dessa forma, as implicações na saúde pública e na ordem política poderão ser minimizadas.