Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 29/08/2021
Segundo uma pesquisa realizada pelo Fantástico, mais de 70% dos brasileiros com acesso à internet já receberam pelo menos um conteúdo falso em 2020. Nessa perspectiva, na conjuntura contemporânea, nota-se a persistência de Fake News disseminadas na esfera social, as quais afetam a população e as instituições públicas. Nesse contexto, urge analisar como a falta de uma educação digital e a negligência estatal impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a proliferação de notícias falsas está intrinsecamente relacionada à carência de políticas educacionais direcionadas ao ambiente virtual. De acordo com a Kaspersky, 62% dos brasileiros não conseguem reconhecer uma Fake News. Nesse viés, tal panorama ocorre, sobretudo, devido à mínima atuação das escolas na orientação dos alunos sobre o acesso a web, desde o ensino fundamental, as quais priorizam a preparação dos discentes apenas para assuntos voltados aos vestibulares. Desse modo, milhares de alunos sem receberem instruções acerca da necessária filtragem de conteúdos e bom uso da internet, ficam suscetíveis a consumirem assuntos sem compromentimento com a verdade e facilmente manipuláveis.
Outrossim, vale salientar que a inércia do Estado propicia a perpetuação de informações inverídicas no campo social. Nesse sentido, o filósofo iluminista John Locke desenvolveu o conceito de Contrato Social, em que o Estado seria responsável pelo bem-estar coletivo. Entretanto, a máquina administrativa rompe a tese de Locke, uma vez que não atua em combater os conteúdos falsos dispersos nos veículos de comunicação. Dessa forma, a ausência de fiscalizações constantes e de normas mais rígidas comprometem as relações sociais no meio virtual, em decorrência da toxicidade de alguns assuntos, os quais podem impactar tanto a população quanto instituições públicas e privadas.
Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para minimizar a difusão de Fake News no corpo social. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão do Estado responsável pela formação civil - incluir na grade comum curricular a disciplina Educação Digital, desde as séries iniciais do ensino fundamental, a qual instrua os discentes a utilizarem as ferramentas tecnológicas de maneira correta e, principalmente a filtrar as informações dispersas na internet. Isso deve ser feito por meio de profissionais capacitado na área, como programadores de sistema, a fim de proporcionar aos sujeitos sociais um espaço democrático e inviolável. Espera-se, com isso, a curto e longo prazo resolver esse imbróglio.