Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 30/08/2021
Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob o viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade brasileira, no que tange ao perigo das fake news. No sentido de que, esse, é um notório problema social que persiste sem solução, à custa da negligência governamental e falta de consciência social.
É relevante abordar, primeiramente, que a ausência de ação do governo é uma das razões pela qual o problema persiste. Nesse sentido, Aristóteles diz, em seu livro “Ética a Nicomaco”, que a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. Assim, percebe-se que a obra do filósofo não se aplica à questão das Fake News, uma vez que a regência que deveria agir e garantir a aplicação das leis vigentes, vai em direção oposta. Em 2021 foi iniciada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), pelo Congresso Nacional, para investigar a disseminação das Fake News visando manipular as eleições de 2018 através de perfis falsos. Assim, sem o comprometimento do Poder Estatal em aplicar políticas públicas para solucionar o impasse, percebe-se que a ideia de bem-estar, defendida pelo pensador, não se materializa no país e, por isso, a resolução do cenário é praticamente utópica.
Ademais, cabe salientar que, no livro “Banalidade do mal”, a filósofa Hanna Arendt refletiu sobre o processo de massificação social, onde todos os indivíduos possuem mesmos padrões comportamentais. Com efeito, quando se fala sobre o perigo de alastrar notícias falsas, é fácil perceber que a ideia defendida pela escritora tem relação com a temática. O fácil acesso a qualquer informação, proporcionado pelas mídias, juntamente a falta de senso crítico individual, resultam na mecanização de espalhar, muitas vezes, inverdades. A ausência de prudência, refletida como egolatria, demonstra os ideais de Jean Caritat, que considerava que os indivíduos mascaravam a insensibilidade do egoísmo como filosofia.
Portanto, fica evidente a necessidade de intervenção nos perigos das Fake News. O Congresso Nacional, por meio de emendas e modificações legislativas, deve fazer uma reforma nas leis e códigos, com o rigor necessário, que versam sobre a divulgação de notícias falsas. Tal reforma deve conter a modificação de matérias desatualizadas e a inclusão de artigos que atuem de forma mais atual e específica sobre os principais tópicos, como, por exemplo, o uso de mentiras midiáticas para manipulação eleitoral. Espera-se, dessa forma, que a sociedade brasileira esteja, de fato, protegida pela sua legislação.